segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A casa do meu avô




Meu avô morreu em maio e há alguns meses a casa em que ele morava foi vendida.

Eu morei 18 da minha vida lá também e faltava coragem pra passar em frente do lugar em que eu mais vivi para ver o que tinha acontecido.

Hoje enfim minha mãe e eu passamos em frente e ver tudo aquilo que fez parte de nossas vidas transformado em entulho no chão doeu tanto quanto sentir novamente a morte dele.

Fechei os olhos pra não ver o que estava ali e na mesma hora lembrei de todas as vezes em que ouvi mina avó contando o quanto tinha sido difícil para ela e meu avô construírem aquela casa. “Eu só tinha um vestido. Lavava, esperava secar e colocava de novo. Eram tempos difíceis e a gente precisava terminar a casa”, ela sempre me dizia.

Foi uma das cenas mais difícil da minha vida e ainda me falta coragem pra acreditar que tudo isso aconteceu e eu nunca mais vou descer as escadas pra um churrasco em um domingo feliz, com toda minha família...

Acho que não sou adulta o suficiente ainda pra entender que esse é um processo da vida e conseguir apenas guardar as lembranças, sem lágrimas nos olhos...

Também falta coragem pra acreditar que as coisas se acabam, as pessoas se vão e mesmo assim a vida continua...

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Meu adorável ex-namorado - parte 1



Dos 14 aos 18 anos fui apaixonada por um babaca.


E ele, como todo homem, me fez de palhaça por todos esses anos. Entre idas e vindas, até conheci outros caras. Mas quando eu estava quase me apaixonando por alguém, aparecia ele, todo romântico, atencioso, carinhoso e pronto... Eu acreditava que tinha mudado e voltava a morrer de amores por ele.


Até que, depois de muito tempo, resolvi evitá-lo de todas as maneiras, o que incluiu bloqueá-lo e deletá-lo de todas as coisas. O tempo passou e eu consegui definitivamente esquecer aquele que ficou conhecido por mim e minhas amigas como encosto.


O problema é que a internet está aí e as redes sociais também. Então, eis que um belo dia ele me adicionou no Facebook. A primeira coisa que reparei foi o status: Noivo.


Fiquei, lógico, com uma pontinha de inveja e pensei: por que ele vai casar com ela e não comigo? Mas depois dos primeiros dez segundos esse sentimento passou e eu fiquei genuinamente feliz por ele ter, enfim, aprendido a amar alguém.


Ver que o babaca tinha se transformado em um homem bacana com capacidade para amar e respeitar uma mulher a ponto de querer se casar com ela me fez acreditar que os homens mudam sim, ao contrário do que eu acreditava.


Mas os homens são assim mesmo e depois de cinco minutos te mostram o porquê não vale a pena confiar neles. Depois de três linhas de conversa veio o convite:


- Sabe o que é? Vou me casar e antes queria me despedir de você. Vamos sair?


Conclusão do dia: As pessoas não mudam. Se um homem foi filha da puta uma vez, ele vai continuar sendo sempre. Acostuma, sabe?






domingo, 23 de janeiro de 2011

Almôndegas, avôs e amor



Entre uma conversa e outra enquanto almoçamos almôndegas, minhas amigas e eu começamos a falar sobre nossos avôs... todos eles, os que já se foram e os que, graças a Deus, ainda estão aqui.

Cada uma com histórias de vida diferentes, mas todas com a mesma emoção na voz e nos olhos. Enquanto minhas amigas dividiam as lembranças delas comigo, minha imaginação voltou pro tempo em que eu um doce, um sorriso ou até mesmo uma bronca me fazia mais feliz e mais segura.

Pensei que nós três, ali, tínhamos muito das nossas gerações passadas. Mais até do que podíamos imaginar...

E eu, que já perdi minha vó e meu vô, cheguei a conclusão que avós e avôs deveriam durar para sempre.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Tomara

Tomara que os olhos de inverno das circunstâncias mais doídas não sejam capazes de encobrir por muito tempo os nossos olhos de sol. Que toda vez que o nosso coração se resfriar à beça, e a respiração se fizer áspera demais, a gente possa descobrir maneiras para cuidar dele com o carinho todo que ele merece. Que lá no fundo mais fundo do mais fundo abismo nos reste sempre uma brecha qualquer, ínfima, tímida, para ver também um bocadinho de céu.

Tomara que os nossos enganos mais devastadores não nos roubem o entusiasmo para semear de novo. Que a lembrança dos pés feridos quando, valentes, descalçamos os sentimentos, não nos tire a coragem de sentir confiança. Que sempre que doer muito, os cansaços da gente encontrem um lugar de paz para descansar na varanda mais calma da nossa mente. Que o medo exista, porque ele existe, mas que não tenha tamanho para ceifar o nosso amor.

Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo. Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso. Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, mesmo que as mentiras e as verdades sejam impermanentes. Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito. Que, mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de sonho a ideia da alegria.

Tomara que apesar dos apesares todos, dos pesares todos, a gente continue tendo valentia suficiente para não abrir mão de se sentir feliz.

Tomara.


Caio Fernando de Abreu

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Amar errado

“Meu coração tá ferido de amar errado.

De amar demais, de querer demais, de viver demais.

Amar, querer e viver tanto que tudo o mais em volta parece pouco.

Seu amor, comparado ao meu, é pouco. Muito pouco.

Mas você não vê. Não vê, não enxerga, não sente.

Não sente porque não me faz sentir, não enxerga porque não quer. A mulher louca que sempre fui por você, e que mesmo tão cheia de defeitos sempre foi sua. Sempre fui só sua. Sempre quis ser só sua. Sempre te quis só meu.

E você, cego de orgulho bobo, surdo de estupidez, nunca notou. Nunca notou que mulheres como eu não são fáceis de se ter; são como flores difíceis de cultivar. Flores que você precisa sempre cuidar, mas que homens que gostam de praticidade não conseguem. Homens que gostam das coisas simples.

Eu não sou simples, nunca fui. Mas sempre quis ser sua. Você, meu homem, é que não soube cuidar. E nessa de cuidar, vou cuidar de mim. De mim, do meu coração e dessa minha mania de amar demais, de querer demais, de esperar demais. Dessa minha mania tão boba de amar errado. Seja feliz.”

Caio Fernando Abreu

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

A vida é chata sem você.

" - A vida é chata sem você. Eu senti sua falta. É claro que eu senti sua falta!
Eu sabia que sentiria, mas não foi do tipo "hey, tivemos momentos legais, vamos manter contato…"
Não foi assim. Foi mais tipo "não consigo comer, não consigo dormir, eu não me lembro mais como sorrir".
Mais ou menos assim… Eu acho que, quando você foi embora,
levou meu coração com você."

Do filme Recém Formad

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Só por hoje

Não quero um ano novo daqueles cheios de promessas que sei que não vou cumprir.

Eu não sou boa em planejar. Também não sou boa em fazer sacrifícios. Sempre perco minhas listas antes de cumprir o primeiro item e minhas resoluções nunca se concretizam.

Então decidi começar 2011 de uma maneira um pouco mais leve.

Sabe aquela história dos narcóticos anônimos de “Só por hoje”? Funciona mais ou menos assim: eles não vivem pensando no futuro, se cobrando em excesso e sim vivendo um dia de cada vez...

Afinal, não é fácil logo de uma vez deixar pra trás velhos costumes, abandonar pessoas que você gostava e mudar suas manias.

Portanto, decidi que em 2011 vou viver assim:

Só por hoje não vou me chatear.
Só por hoje não vou procurar coisas/pessoas que me fazem mal.
Só por hoje vou me livrar de hábitos não saudáveis.

E vamos ver no que dá...


domingo, 2 de janeiro de 2011

A história do lápis - Paulo Coelho

Voltei antes de todo mundo da praia e fiquei sem fazer nada hoje o dia todo.

Li esse texto do Paulo Coelho e resolvi me inspirar para começar bem o meu ano novo!



A história do lápis
por Paulo Coelho

O menino olhava a avó escrevendo uma carta. A certa altura, perguntou:

- Você está escrevendo uma história que aconteceu conosco? E por acaso, é uma história sobre mim?

A avó parou a carta, sorriu, e comentou com o neto:
- Estou escrevendo sobre você, é verdade. Entretanto, mais importante do que as palavras é o lápis que estou usando. Gostaria que você fosse como ele, quando crescesse.

O menino olhou para o lápis, intrigado, e não viu nada de especial.
- Mas ele é igual a todos os lápis que vi em minha vida!
- Tudo depende do modo como você olha as coisas. Há cinco qualidades nele que, se você conseguir mantê-las, será sempre uma pessoa em paz com o mundo.

“Primeira qualidade: você pode fazer grandes coisas, mas não deve esquecer nunca que existe uma Mão que guia seus passos. Esta mão nós chamamos de Deus, e Ele deve sempre conduzi-lo em direção à Sua vontade”.

“Segunda qualidade: de vez em quando eu preciso parar o que estou escrevendo, e usar o apontador. Isso faz com que o lápis sofra um pouco, mas no final, ele está mais afiado. Portanto, saiba suportar algumas dores, porque elas lhe farão ser uma pessoa melhor”.

“Terceira qualidade: o lápis sempre permite que usemos uma borracha para apagar aquilo que estava errado. Entenda que corrigir uma coisa que fizemos não é necessariamente algo mau, mas algo importante para nos manter no caminho da justiça”.

“Quarta qualidade: o que realmente importa no lápis não é a madeira ou sua forma exterior, mas o grafite que está dentro. Portanto, sempre cuide daquilo que acontece dentro de você”.

“Finalmente, a quinta qualidade do lápis: ele sempre deixa uma marca. Da mesma maneira, saiba que tudo que você fizer na vida irá deixar traços, e procure ser consciente de cada ação”.