segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Por que os homens mentem e as mulheres choram?


Sinceramente, nunca li esse livro e até hoje não descobri porque toooooodos os homens insistem em achar que podem enganar uma mulher. É obvio que não podem, pois além de tudo temos uma coisa que eles não têm: sexto sentido.


Lembro como se fosse hoje. Eu tinha só 17 anos e estava indo pro shopping com meu namoradinho. Quando entramos no ônibus vi que ele estava esquisito. Fiquei só observando. Então ele abriu a carteira para pagar a passagem e eu vi, bem dobradinho, um folha do ursinho Pooh. E pedi:


-Deixa eu ver?


-Não é nada, amor..


-Se não é nada, me deixa ver...


E ele não deixou. Eu ainda era uma menina que acreditava em contos de fadas. Mas a vida me deu um empurrãozinho para eu deixar de ser tão ingênua.


Uns dias depois o esperto me pediu para guardar a carteira dele na minha bolsa. E eu guardei. Esperei ele sair de perto e louca para descobrir o que era aquele papel, fui logo ler. O canalha tinha um bilhete de uma menina, que até hoje chamo de Regordinha, escrito: Ich Liebe Dich.


Quando ele chegou mostrei o bilhete e ele chorou copiosamente. Não negou... Só disse que não tinha feito por mal.


Hoje, seis anos depois, já me habituei a essas mentiras que eles contam sem ter má intenção. Não é que não me importo ou aceito. Apenas não dou a mais nenhum homem o gostinho de me ver sofrer por causa de sua falta de caráter. É como dizem: nenhum homem merece suas lágrimas. E aquele que merecer não te fará chorar.


Eu ainda não sei por que eles mentem. Mas infelizmente sei por que as mulheres choram. Todas, assim como eu, têm a esperança de achar alguém que mereça todo o amor que temos para dar...

domingo, 19 de setembro de 2010

Missão cumprida

Nada vai poder mudar a felicidade que eu estou sentindo desde quinta-feira.

Aliás, sempre comemoro quando termino um trabalho, mas esse foi especial.

Nunca imaginei que trabalharia em um hospital, mas esse foi meu job por quase três meses. Até hoje, o meu maior desafio. Além de estar a três horas de distância da minha casa, o melhor hospital da América Latina fica no meio de uma guerra de egos, onde receber um bom dia pode ser considerado um milagre;

Inclusive, posso garantir que a melhor hora do meu expediente era quando a faxineira ou o moço do café me desejavam boa tarde e almoçar ao lado de médicos falando de tumores e operações me fez adorar comer, todos os dias, um lanche natural de atum dentro da minha sala. Sala, aliás, que não tinha janela e onde meu celular não tinha sinal.

Mas acho que o mais difícil mesmo foi ficar todo esse tempo sozinha. Passei tardes e tardes pensando em mim mesma. Aguentei minhas duvidas, tristezas e toda minha carência.

Agora, com o trabalho cumprido, longe daquele mundo tão gelado e ao mesmo tempo tão quente, consigo enxergar claramente que a minha função não era apenas fazer um relatório sobre práticas do RH. Minha missão era muito maior e eu consegui. Descobri que eu sou e sempre vou ser minha melhor companhia e que sozinha posso vencer todos os desafios que a vida colocar pelo caminho.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Tr 101

Gosto mesmo quando o ônibus que chega primeiro no ponto é o que para longe da minha casa. Gosto de andar na chuva, sentir o frio e me ver sozinha, indo pelo caminho de onde todos desviam por que dizem que é perigoso.

Gosto de subir o degrau que separa a avenida da ruazinha ao lado escola, passar embaixo da ponte e andar bem rápido naquele lugar deserto.

Gosto quando tenho que olhar para trás para ver se não tem ninguém suspeito por perto e quando tenho que apertar o passado para fugir de gente estranha.

Mas isso não significa que sou excêntrica e gosto de me arriscar.

Acho que na verdade só gosto de me sentir um pouco livre, mesmo que por 30 segundos. Por que por um instante me sinto fora do alcance de todos que insistem em me sufocar tentando me proteger. Família, amigos, gente que eu nem conheço, mas que se sente no direito de dizer como tenho que levar minha vida.

Se dependesse de mim, meu caminho até minha casa teria ainda mais vielas perigosas. Me faz tão bem me sentir adulta o suficiente para poder atravessar uma rua escura sozinha...

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Faz assim

Entrei no trem às 21h35 sem ter decidido ainda se iria ao show que começava às 22h.
Se alguém tinha tido um dia péssimo, essa pessoa era eu. E talvez por acreditar que algo bom aconteceria ainda naquela noite foi que eu decidi arriscar.
Corri feito uma maluca, troquei de roupa na estação de trem e quando subi as escadas para encontrar meus amigos encontrei um olhar diferente em meio a tantos rostos conhecidos.

Dezoito dias depois tenho a certeza de que fiz a escolha certa.
Sempre escuto a música Faz Assim do Leoni e hoje, mais do que em qualquer outro dia, ela faz total sentido:

“Mas é exatamente quando a gente está cansado que o coração distrai e então a sorte vem”.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Atenção

Hoje quando entrei no taxi me estranhei.

Eu, logo eu, que normalmente me torno melhor amiga dos taxistas em menos de cinco minutos não senti vontade de puxar papo e nem responder as tentativas dele de engatar uma conversa.

Da Vila Olímpia até onde moro são mais de 50 minutos e vim o caminho todo pensando.

Pensei primeiro no motorista de ônibus que me esperou quando eu sai correndo desesperada e depois conversou comigo interessado em saber por que eu corri sorrindo...

Lembrei da jornalista que me abraçou com tanta empolgação quando me encontrou e do francês tentando me fazer rir com suas piadinhas em português.

Mas principalmente, lembrei do louco que conheci hoje pela manhã, enquanto esperava o ônibus.

Ele veio andando e de longe senti que ele iria falar comigo. Sabe como é...Eu atraio gente pouca e sei disso. Quando chegou bem perto de mim, disse: Você parece a moça que eu sonhei essa noite.

Encarei isso como um elogio e respondi: Muito obrigada.

Então ele começou a me contar da vida dele, o lugar em que dormia, por que odiava a policia e qual igreja freqüentava.

O mais engraçado é que eu continuei a conversa. Disse que estava indo trabalhar, que não acreditava em policiais honestos e que morava em Santo André.

Para minha surpresa ele respondeu: Cuidado, tenho um tio que mora lá e é bêbado, não dá atenção para qualquer um na rua e fica esperta. As pessoas são perigosas.

E aí percebi que talvez ele só quisesse um pouco de atenção. Assim como o taxista, a jornalista, o francês, o motorista de ônibus e eu.

Todos nós precisamos de um pouquinho mais de atenção...

domingo, 12 de setembro de 2010

Futuro



Ontem a noite, numa dessas conversas de bar, enquanto eu fazia contas e concluía como quero estar daqui a cinco anos, veio a pergunta:


Por que tanto medo do futuro?


Eu não soube responder.


Em seguida veio o conselho:


É só deixar acontecer.



Acordei hoje pensando nisso.


Por que tanto medo do futuro?


Só agora encontrei a resposta.



Eu não sei deixar as coisas acontecerem.


Me acostumei com tudo rolando como exatamente programado.


Os mesmos programas todas as quintas, sextas e sábados.


Durante três anos tive o meu porto seguro. Sabia quem responderia minhas dúvidas, sabia quem me ligaria no meio da noite, sabia onde passaria todos os anos novos, um em Cotia, outro no Guarujá, nessa seqüência.


Mas agora não sei mais e isso me assusta.


Acordo sem saber quem me ligará para dar o primeiro bom dia, caminho para o trabalho sem saber o que farei na volta pra casa. Nos finais de semana não vou mais aos lugares em que ia. Agora tudo é novidade.


E as mesmas coisas novas que me fazem feliz me deixam perdida.


Eu me acostumei a ter você ao meu lado. E durante sete meses me acostumei a te esperar voltar. Incrível que, por menos que pareça, todas as minhas decisões neste período foram tomadas para que nós não nos afastássemos. Disse inúmeros nãos quando a vontade de te ter novamente me impedia de dizer sim. Me envolvi em relacionamentos sem futuro, só para não acabar com a possibilidade de um dia realizar o nosso combinado. Passei todos os dias tentando acreditar que um amor quando é de verdade, dura para sempre. E o nosso realmente era.


Mas hoje percebi que o amor acabou. Descobri que agora você tem sua vida e eu tenho a minha. E preciso que você saiba o quanto eu estou assustada. Não quero te ter ainda mais longe e não quero que o dia 14 de setembro de 2012 passe em branco. Não quero esquecer nossos bons momentos, mas eles estão cada vez menores perto dos dias ruins.


Não te amar mais me dá medo.