quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Voltei

Houve um tempo em que todo mundo tinha um blog. E eu também tinha um.
Depois parei de usar. Abandonei. Aí veio 2010. O ano em que tudo deu errado. E como ninguém parecia compreender o que eu sentia, resolvi voltar a escrever. Achei que não teria outro ano tão difícil. Aí veio novembro de 2014 e uma série de tombos que insistem em competir com 2010 para o pior ano da minha vida.
A gente cresce, acha que aprende a lidar com os problemas, mas continua terminando a noite chorando abraçada com o travesseiro.
Fica a vontade de falar mais e mais da nossa história, mas ninguém quer ouvir.
Sobram as perguntas e os por quês. Mas não tem quem possa te responder.
E nem adianta gritar porque ninguém vai ouvir.
A dor é só nossa.
E dizem que escrever alivia...


Então voltei.

domingo, 20 de setembro de 2015

A infelicidade de não saber ver a felicidade dos outros...

A infelicidade de não saber ver a felicidade dos outros...
Como dói constatar que me tornei uma pessoa assim. Sempre torci pelos meus amigos e justo hoje, em um dos dias mais importantes da vida da minha melhor amiga, não consigo aceitar que os sonhos que sonhamos juntas tenham se realizado para ela e para mim não.
Quando foi que me tornei essa pessoa amargurada que se incomoda com os sonhos dos outros se realizando e que se irrita com casais felizes se beijando no metrô?
Quanto mais penso nisso, mais fico triste. E quanto mais fico triste por isso, mais me sinto uma pessoa pior.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Oi, vida.

Oi vida, queria conversar com você.
As coisas não estavam fáceis. Mas ultimamente estou começando a acreditar que não vou aguentar.
É o que chamam de Karma? Eu não acredito nisso. Se for praga, macumba, vudu, também não. Sou católica, batizada e praticante.
Mas falar com Deus não tá adiantando ultimamente.
Sozinha, assim, sem ter pra onde correr não consigo achar que a ajuda vai vir do céu.

É porrada atrás de porrada. Situações que jamais imaginei viver e de repente to assim, aqui, sozinha, tendo que enfrentar. É um teste? Se for pra saber se eu sou fraca ou forte, te dou a resposta: sou fraca. Não aguento tudo isso não.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Sem resposta

Oi, então, não vou te visitar pq vc tá no hospital e hospital é lugar de ficar com a família né? Quando você sair te dou um abraço.
Foi preguiça, foi trauma de hospital, foi cansaço e foi um dos maiores erros da minha vida.
Minha amiga morreu.
Antes disso ela ficou 10 dias no hospital. E eu não fui visita-la. Eu estava ocupada demais trabalhando. Eu estava ocupada demais sofrendo pelos meus problemas. Eu estava ocupada demais gastando meu tempo livre para dormir.
"Algumas pessoas entram nas nossas vidas por acaso, mas não é por acaso que elas permanecem". Acredito fortemente nesse clichê. E ela sempre foi a prova disso. Ela soube ser presença quando eu fui seguir outros caminhos. Ela soube ser consolo quando eu estava desmoronando. Ela foi apoio quando eu achava as coisas difíceis. Quebrou a barreira do meu coração e dividiu comigo a vida, os problemas mais íntimos e o amor que ela tinha pelo mundo.  Ela foi a chama de fé quando eu achei que Deus tinha me abandonado.
Fico olhando para a mensagem que te mandei sem resposta. Por um milagre, queria te abraçar uma última vez. E dizer:

Obrigada por ter me deixado ser sua boneca. Te encontro em breve minha amiga.

sábado, 1 de agosto de 2015

Nunca vai acontecer com a gente


Mas um dia acontece.
Você acorda e seu amigo tá no jornal.
Você não foi embora com ele.
Ele bebeu demais. Bateu o carro. Matou um cara.
Matou um cara.
Podia ter sido diferente.
Você podia ter ficado com ele.
E podia ter evitado.
Ou podia ter morrido.
Ou podia ter sido do mesmo jeito.
Nunca vai acontecer com a gente.

Mas acontece.


quarta-feira, 22 de julho de 2015

Carta para você



Continuo usando esse blog para falar tudo o que você não quer ouvir.
Às vezes penso que talvez por um momento você lembre do endereço dele e acesse. Te passei uma vez, quando você me perguntou porque eu não escrevia mais e eu te disse: só escrevo nele quando estou triste.
E você me pediu para escrever que estava feliz. E me disse que eu nunca mais escreveria triste aqui de novo.
Agora, tudo o que faço é segurar as lágrimas, esperar chegar em casa e transformar toda a tristeza em um texto para você.
Ninguém aguenta mais me ouvir falar de você, ninguém mais se comove com meu choro... As pessoas apenas dizem: já passou, vc tem que superar.
Mas ninguém sabe o quanto você mudou minha vida.
Ninguém sabe o quanto você me ensinou a ser generosa, a perdoar aos outros, a se colocar nos outros. E ninguém sabe o quanto isso era tudo o que eu sempre sonhei para o pai dos meus filhos.
Eu não sei onde eu errei. Eu não sei em que momento deixei você se perder de mim. Mas se eu tivesse só mais uma chance, nunca deixaria você escapar novamente. 

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Parece piada

Parece piada. Mas é só minha vida...

O celular tocou e eu pensei que era cobrança. Enfim, desde que eu fiquei solteira parei de economizar para casar e comecei a comprar roupas e a sair loucamente. Mas não. Era pior.
- Senhora Pamela, aqui é a corretora, achamos o apartamento que você e seu noivo procuram.
- Ah, então, não estamos mais procurando.
- Vocês já compraram?
- Não, na verdade...
- Mesmo assim, venham visitar, é perfeito para vocês, um casal tão lindo, tão feliz, gostei tanto de vocês.
- Então, é que a gente não...
- Eu sei, vocês optaram por outro, mas vou mandar apresentação no email e ligo de novo amanhã.
- Hum. Isso, mas manda no email dele. E liga pra ele. Ele que não quer comprar com você.

Parei no cruzamento da Rebouças com a Faria Lima, chorei por uns dez minutos e depois me senti um pouquinho melhor sabendo que amanhã a ligação não seria pra mim.

Como dizem, o choro é livre. E o riso também!

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Maio de 2015

Ainda acordo todas as noites com medo que o telefone toque de novo e seja você.  Quando não acordo no meio da noite, sonho que tudo continua igual. Ainda abro meus olhos no domingo de manhã esperando te encontrar ao meu lado.

Uma presença tão forte, tão constante virou fumaça em menos de um minuto.

Não sou só eu. Ninguém entende porque assim. Porque tão de repente. Porque nem ao menos uma chance. 
Será que é pedir muito ter mais um minuto?
Será que é feio implorar por um abraço?
As pessoas me dizem tudo o que eu não devo fazer, mas eu continuo querendo arrancar uma resposta sua.