segunda-feira, 18 de julho de 2011

Páginas vazias


Quando você começa a achar que uma parte do que você é não tem explicação, é inevitável querer achar as respostas.

Como se uma parte da minha vida fosse um pedaço de um livro não escrito, sem história, só vazio, comecei a querer entender.

Às vezes sinto que continuo vivendo sem ter vivido uma parte do meu passado e parece que a cada dia em que tento preencher esse vazio fica ainda mais evidente qual é a peça que falta pra completar esse quebra cabeça.

Mas ao mesmo tempo não tenho certeza de que devo buscá-la, como se tentar mudar a partir de agora fosse negar toda uma vida.

Será que é errado tentar escrever nessas páginas vazias?



segunda-feira, 11 de julho de 2011

Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas...

"...Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais — por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia — qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.

Tinha terminado, então. Porque a gente, alguma coisa dentro da gente, sempre sabe exatamente quando termina.

Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas. Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo..."


Caio Fernando de Abreu

domingo, 10 de julho de 2011

300 dias sem ele




Desde que ele foi embora passaram-se 300 dias. Longos 300 dias em que eu, durante todas as horas, o esperei voltar.

Mesmo sabendo ser uma loucura e ouvindo isso de todo mundo, eu não perdi as esperanças. Foram 300 dias em contagem regressiva, esperando o momento dele voltar.

Mas esse dia não chegou. E não vai chegar. Não tão cedo quanto eu esperava.

Sei que ninguém entende essa minha necessidade de esperar, de insistir em não seguir em frente, de achar que ninguém poderá ocupar seu lugar. Eu também não entendo.

Agora, querendo ou não, isso vai ter que mudar.


Eu daria a vida pra tê-lo de volta e dei, pq não vivi desde que ele foi embora, mas nada significou.


Se ele quisesse, esperaria pra sempre. Mas olha como as coisas são...ele não quer.

domingo, 3 de julho de 2011

Hoje

Alguns dias a saudade fica um pouco maior.

Hoje, por exemplo, é um deles.

Chorei feito criança assistindo a um filme em casa.

Se você tivesse aqui, você me abraçaria. E eu não ia mais chorar.

Faz um ano e meio que você me deixou. E todos os filmes que eu assisto ainda me lembram você.

Passei grande parte da minha adolescência sonhando em conhecer meu príncipe encantado.

Aí, você chegou e me mostrou que histórias de amor existem também na vida real.

Mas o que eu fiz além de estragar tudo?

Eu te perdi. É tudo minha culpa.

E isso faz doer ainda mais.