quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Meias *



Fim de ano é tempo de reorganizar a vida e fazer planos né? Então eu decidi começar minha reorganização pela gaveta de meias.

Tive uma grande surpresa quando vi que ali, perdidos entre minhas meias de algodão e meias finas estavam cinco pares de meias masculinas.

Sim. As suas meias.

Estranho por que, há um tempinho, resolvi me livrar da maioria das lembranças e as suas blusas de moletom e calças que estavam aqui foram pra caridade e até o presente que eu comprei – aquela camisa horrível do Corinthians – e não te entreguei acabou indo pro lixo.

Mas as meias... Parece que elas ficaram ali, sorrateiras, escondidas entre as minhas coisas, pra me mostrar que não posso negar os bons momentos que tive ao seu lado te transformando em um cachorro com toda essa raiva que sinto por você não me amar.

Ficaram ali, quietinhas, para reacender as lembranças dos dias frios em que você aquecia meus pés, não só com meias de algodão, mas com todo amor do mundo.

Eu olhei bem pra elas por que se tem uma peça de roupa que eu nunca, nunca dei valor foram elas. E lembrei que a primeira vez que você me emprestou uma meia foi naquela viagem maluca que a gente fez escondido de todo mundo, lembra?

Eu levei uma mala maior que o mundo e mesmo assim esqueci das meias. Você viu que na hora de dormir meus pés estavam quase congelando e me emprestou um par das suas. Na volta, depois daqueles dias de aventura, não lembrei de devolver.

Também teve aquele par de meias da primeira vez que eu fui pra praia com você e sua família. Era setembro. Eu não sabia se ia estar frio ou calor e de noite, quando esfriou, você quem salvou meus pezinhos. Foi nossa segunda viagem juntos. A primeira oficial, com sua família.

Depois de um tempo de namoro você já tava até acostumado com o meu frio no pé, minha mania de tomar banho com o chuveiro fervendo e o meu péssimo hábito de não enxugar direito as coisas. Das inúmeras vezes que dormimos juntos, tenho certeza que sobraram esses outros dois pares de meia.

Eu disse cinco pares né? Quanta coisa. Eu lembro também que você dizia a sua mãe que a maquina de lavar engolia suas meias.

O último par de meias eu reconheci. Tive que usá-lo por três dias. Você nem deve lembrar mas na viagem pra Monte Verde – acho que nossa última boa lembrança – eu também esqueci disso. E lá fazia um frio. Se não fosse por você, mais uma vez, eu teria passado as noites em claro com meus pés congelando.

Mas você sempre tinha a solução pros meus problemas né? Como era bom ter suas meias pros meus pés, seus conselhos pros meus problemas, suas mãos pra me levarem pelos caminhos ...

Estranho mesmo é olhar para essas coisinhas encardidas e ter tantas lembranças boas.

Ei, me promete uma coisa? Não empresa suas meias pra mais ninguém? Por favor...



* Apesar de parecer, esse não é um post triste. É um post feliz de quem conseguiu encerrar 2010 em paz com lembranças que antes machucavam e agora fazem sorrir!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Retro

Eu costumo dizer que 2010 foi o pior ano da minha vida. E eu nem precisei esperar chegar ao final dele para constatar isso.

E eu ainda lembro na virada do ano quando ele me olhou e disse: 2010 vai ser um ano bom. Eu acreditei. Olhei nos olhos dele e confiei no que ele me dizia.

Mas a gente nem tava em outubro ainda e eu já sabia que todas as coisas ruins que poderiam me acontecer certamente já tinham acontecido.

Com algumas perdas materiais, que eu acabei descobrindo serem insignificantes, até soube lidar. Mas aquelas coisas que envolvem sentimento, essas eu ainda não superei.
Começou em fevereiro. No dia 20. Quando atendi a ligação que terminou meu namoro de três anos.

Depois, em maio, meu avô morreu. De longe, a pior coisa que poderia acontecer.
Em outubro, minha mãe perdeu o emprego.

E em dezembro, eu perdi a cabeça. Acho que todo mundo tem um limite do que pode suportar e o meu, durante todo esse ano, foi colocado a prova. Até o sorriso, que todo mundo diz ser minha marca, sumiu. Cheguei a passar dias e dias chorando direto, sem parar, irritadíssima.

Agora, olhando pra tudo o que me aconteceu, nesse clima de retrospectiva que envolve o mundo nos últimos dias do ano, é claro que nem todos os dias foram ruins, nem todas as pessoas me fizeram sofrer e nem tudo o que me aconteceu eu quero esquecer.

Só que, no geral, 2010 não foi um ano bom. Talvez eu devesse ter amadurecido mais, mas não consegui. Talvez eu devesse ter aprendido a enfrentar os problemas sem lágrimas nos olhos, mas também não aprendi.

E todas as lições que o mundo, a vida ou sei lá quem quis me dar nesses doze meses, só uma delas entrou na minha cabeça: não perca a fé que você tem em Deus – tudo tem um motivo. Não perca a fé que você tem nas pessoas, se elas forem desonestas com você, quem pagará por isso são elas mesmo... Mas principalmente, não perca a fé que você tem em você mesmo. Isso é o mais importante.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Never Ever - Se o cara não presta hoje, não vai prestar nunca.


Ele me convidou pra dançar.

Eu não fui.

Quando olhei direito, vi que o cara era do jeito que eu gosto: moreno, alto e forte.

Minhas amigas disseram: vai, sua boba.

E eu fui.

A gente dançou a noite inteira juntos.

Ele sussurrou no meu ouvido: Linda, eu quero ficar com você até o último instante da sua viagem. Quero que você volte. Quero ir pra São Paulo. Quero ficar com você pra sempre.

Pensei comigo: Meu Deus, sou sortuda mesmo. Uma paixão dessas, de repente.

Até que, no fim da balada, quando eu tava sentada ao lado dele, no maior clima, aparece uma louca chorando:

-Coooomoo você fez isso comigo? Eu sou irmã do seu melhor amigo..

Fiquei sem saber o que fazer. Olhei pro até então cara legal demais que eu tinha conhecido e perguntei:

-Ela é sua namorada?

- Não, só fico com ela às vezes.

-Então vai lá falar com ela.

-Eu não, quero ficar aqui.

Então tudo veio na minha cabeça de novo: aquela mensagem no meu celular, a balada, aqueles olhares, a menina chegando e chorando, as frases no twitter. A droga de coincidência..

Olhei bem pra minha amiga, que entendeu o que eu estava pensando: “Será que os homens são mesmo muito filhas da puta ou as mulheres estão mesmo se dando cada dia menos valor?”

Sinceramente, eu nunca quis destruir o relacionamento de ninguém. Juro. Não me envolvo com cara comprometido. Mas se ele tá sozinho na balada, ou se ele passa dias te xavecando sem indícios algum de compromisso, como vou adivinhar?

Agora, se você sabe que ele tem outra, que ele fica com outras ou que ele apenas pensa nisso, quem destruiu seu relacionamento foi você. Ou melhor, o seu relacionamento nem existiu né?

Que história é essa de dar xilique na balada, mandar msg no celular da menina, postar baixaria no twitter? O seu problema é com ele. O seu problema é com você.

Eu também já fui traída, eu também já gostei de alguém que não merecia e sabe o que eu fiz? Não insisti não. Preferi sofrer a dor de desistir do que insistir no erro. Por que uma coisa minha mãe sempre me ensinou: se o cara não presta hoje, não vai prestar nunca. Isso é fato.



sábado, 25 de dezembro de 2010

Serendipity

Quando dois olhares se cruzam e o tempo parece congelar naquela hora, só pode ser coisa do destino.

E eis que estava eu lá em uma das praias mais lindas que já visitei, olhando para o cara mais lindo que eu já vi e vendo que ele também estava me olhando.

Quando voltei ao mundo real me dei conta de que eu ainda estava na fila do banheiro do restaurante da praia e que o “cara dos meus sonhos” usava um avental, ou seja: estava trabalhando...

Voltei pra minha cadeira e contei pra minha amiga: acabei de conhecer o lavador de pratos mais lindo desse mundo.

Sabia que tudo ia ficar aí, nessa coisa de olhar, sorrir e pronto. E quando eu estava indo embora, levando comigo a lembrança daquele sorriso, ele apareceu e pediu meu telefone.

Sim, ele era lindo, mas ainda era um lavador de pratos do restaurante. Pensei por menos de meio segundo e resolvi dar meu número pra ele. Fui embora torcendo pra que ele me ligasse.

Um pouco antes das nove chegou uma mensagem dizendo que ele me ligaria às 11h. E então, nessa hora, ele me ligou. Eu estava jantando com minha amiga e ele chegou. Sem uniforme ele era ainda mais lindo. Aceitei o convite para ir a um forró e quando ele me perguntou se podia me beijar, eu disse que não sabia, o que obviamente era um sim.

E depois de dez meses beijando algumas pessoas sem ter encaixado um beijo se quer, com ele parecia que eu havia encontrado quem eu sempre procurei.

A conversa, o olhar, o beijo... Cada detalhe me fez ter a noite mais especial do ano todo e eu cheguei em casa tendo a certeza de que alguns momentos, por mais rápidos que sejam, são realmente inesquecíveis.

Fazendo minhas as palavras dele na hora da despedida: Pode terminar como uma lembrança boa, uma amizade verdadeira ou um futuro reencontro, o que importa é que valeu mesmo a pena!




Em tempo: Ele não era lavador de pratos e sim chef de cozinha do restaurante. Mas eu disse a ele que contaria para todo mundo a história do lavador de pratos, por que fica ainda mais interessante!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Ilha da magia



Dizem que não há mal que um bom banho de mar não cure. E acho que é verdade.

Até uns seis dias atrás eu estava no meu limite, completamente estressada, cansada e descontente com o mundo. Mas desembarquei em Florianópolis tendo certeza de que aqueles seriam dias inesquecíveis.

Desliguei o celular e esqueci da vida em São Paulo.

Voltei para casa com todos os pensamentos no lugar e com um desejo incrível de dispensar tudo aquilo que estava me fazendo mal e que, agora eu sei, consigo muito bem viver sem.

Fiquei sentada em frente ao mar pensando naquela propaganda do supermercado que te pergunta: O que faz você feliz?

E isso me fez ver que eu sou muito mais feliz do que penso. E ser ainda mais e mais feliz só depende de mim...





Deus abençoe Florianópolis.

E que minha vontade de largar tudo e mudar pra lá só aumente...

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Até onde a gente agüenta?



Essa frase tem rondado minhas conversas ultimamente. Principalmente porque acredito de verdade que só a própria pessoa sabe até onde pode ir, qual é o seu limite e qual é o seu sentimento.
Então acho que hoje eu descobri qual é o meu limite.
Não agüento mais ficar sofrendo por alguém que não vai voltar, fingindo que não me importo com quem tá aqui do meu lado.
Sei que parece loucura, mas é muito mais cômodo sofrer por alguém que merece suas lágrimas do que entregar seus sentimentos para outra pessoa. Mas é isso que eu venho fazendo.
Ou melhor, vinha tentando fazer.

Não consegui.

E me peguei chorando sem saber por que, ou melhor, por quem. Não consegui saber se os litros de lágrimas que estão rolando são elo cara que tá do outro lado do mundo ou pelo menino que eu jurei ser só meu amigo e veio me contar da namoradinha dele.
A única coisa que eu sei é que eu não agüento mais.
Não agüento mais esperar, seja a volta pro país ou uma noite livre.
Não agüento mais nem os e-mails não respondidos nem as grosserias de graça.
Não agüento mais jurar que amo uma pessoa e tentar acreditar que não gosto de outra.

E assim que eu parar de chorar vou tratar de tirar os dois da minha vida.
Juro.
É minha promessa de ano novo...
"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." (Fernando Pessoa)

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

"Meninas, o negócio é o seguinte. Homem que é homem tem que ter coragem. Coragem pra ser homem. Coragem pra assumir seus defeitos. Coragem pra mostrar suas fragilidades. Coragem até pra terminar um namoro. Ah, me poupem! É muita covardia pra minha cabeça! Você olha e lá estão eles: governando empresas, liderando revoluções, resolvendo questões impossíveis, escalando montanhas, desafiando a ciência e a tecnologia... Mas é só o relacionamento esfriar, a dúvida aparecer e... cadê? Eles viram covardes. Se retraem. Somem. Camuflam o medo com frieza e indiferença. Q

Qual é o sexo frágil mesmo?"

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Se eu gostar de você

"Por isso, eu te peço (de um jeito meio sem-vergonha, que é assim que eu costumo ser): se eu gostar de você, tenha a gentileza de não me deixar tão solta. Não me pergunte aonde vou, mas me peça pra voltar. Sou fácil de ler, mas não tente descobrir por que o mesmo refrão insiste em tocar tanto. Se eu gostar de você, tenha a gentileza de também gostar de mim. E me deixe ser, assim, exatamente como eu sou. Meio gato, meio gente."

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Desistir

Nunca pensei na palavra desistir com um significado além do que a maioria das pessoas pensam: algo ruim, que intuitivamente é relacionado ao fracasso.

E por anos, quando pensava amar alguém, pensava em não abrir mão desse amor até o último momento e sempre vinha essa música do The Calling na minha mente:

If I give up on you I give up on me
If we fight what's true, will we ever be
Even if God himself and the faith I knew
Shouldn't hold me back, shouldn't keep me from you


Perdi a conta de quantas vezes chorei ouvindo essa música e jurando que não, não ia desistir de você, não ia desistir de nós.

Mas hoje, diferente de todas as outras vezes, pensei em desistir de você.

E desistir não me pareceu ruim, me pareceu a melhor coisa a fazer no momento.

Amar sozinho dói demais e lutar sozinha por um amor é mais difícil do que eu posso suportar.

Então respirei fundo e ordenei a mim que desistisse de você.

Desisti de você pra voltar a acreditar em mim.



“Nada em mim foi covarde, nem mesmo as desistências: desistir, ainda que não pareça, foi meu grande gesto de coragem”. C. F. A.



Vale a pena ouvir:

O tempo passa, o telefone continua mudo, as horas correm...

"O tempo passa, o telefone continua mudo, as horas correm, e-mails vem e vão e você nem se lembra que tudo aconteceu há uma semana. Até que um dia: pânico! Você atende ao telefone mal humorada, achando que é mais um maníaco do telemarketing e - SURPRESA! - uma voz fala tudo o que você queria ouvir. Mentira. A voz fala oi! e um monte de ecos e você - pega de surpresa - tenta ser doce, divertida e inteligente, tudo ao mesmo tempo. Você acha que este é o momento decisivo pra pegar seu ingresso e entrar de novo no jogo. Ok. Você fica tão afobada que nem deixa a criatura respirar. Nem falar. Você desliga o telefone. Dá um grito bizarro e faz uma dancinha ridícula sem ligar que alguém possa ver. Você fica feliz. Você compra uma blusa decotada. Você liga para sua melhor amiga. Você marca salão para fazer as unhas do pé e da mão, depilar e hidratar o cabelo (sem saber se terá tempo). Sonha com um possível beijo...."

domingo, 12 de dezembro de 2010

Por quem ela espera?


Lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. Sabe que tudo acontece como um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa.

Acredito que essa moça, no fundo gosta dessas coisas. De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste e leva bóias. E se ela se afogar, se recupera.

Estranho e que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta. E quem não é?
A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas?

A moça...ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar.

As vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera?
E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará.

A moça - que não era Capitu, mas também tem olhos de ressaca - levanta e segue em frente. Não por ser forte, e sim pelo contrário...por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda.

Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo

sábado, 11 de dezembro de 2010

Não quero deixar que a tristeza inunde o meu coração.

Enquanto eu converso com você por skype, minha mãe me olha incrédula, parada na porta do meu quarto e pergunta:
-Ele precisou ir tão longe pra você descobrir que o amava tanto?
-Sim, precisou – Respondi, sem pensar duas vezes.

Talvez não seja a distância. Talvez seja a ausência. Talvez você seja mesmo o homem da minha vida.

Talvez essas conversas a milhares de quilômetros em que ficamos falando de nossas vidas como se ainda fossemos aquele casal feliz me iluda.

Talvez nunca devêssemos ter nos separado.

Ou talvez seja só aquela característica dos seres humanos de só darem mesmo valor a uma coisa quando perdem.

É, sou humana...

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Sete meses

Hoje já acordei triste, coisa que dificilmente acontece.

Enquanto andava pela minha rua, fiquei pensando na falta que você me faz.

Demorou um pouco para eu me lembrar que hoje faz sete meses que você se foi.

Sete meses mais vazios, cinzas e tristes.

Sete meses em que, durante todos os dias, me lembrei de você.

Seja pelo cheiro de café, pelos presentes que você me deu e eu ainda guardo, pelas piadas que faço e aprendi com você, ou pela cadeira vazia, que evidencia que tudo está incompleto.

Babacas

"Toda mulher que se preze já se apaixonou por um bacaca. A história é quase sempre a mesma, o final também. A gente conhece um cara, ele se mostra doce, maravilhoso e bem resolvido. A gente - encantada - guarda a intuição no fundo da gaveta, veste o melhor decote ( e o melhor sorriso ) e sai linda, leve e solta para mais um capítulo cheio de frases mal contadas, celular desligado e eventuais sumiços..."

Em homenagem aos babacas que passaram, estão passando e ainda passarão em minha vida, até, por que, hoje é dia do palhaço!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Comodidade

"Mas eu te ouvia dizer que sabias ser necessário optar entre mim e ela, e que optarias por ela, por comodidade, para não te mexeres daquele canto um pouco escuro e um pouco estreito, mas teu"

Caio Fernando Abreu

Cansada


"Estou cansada. Cansada de ser racional. Cansada de tomar iniciativa, cansada de ser homem em cima do salto 15.

Por isso, em nome do meu equilíbrio, da falsa modernidade e dessa bagunça que virou um simples abrir ou fechar de portas, me atrevo a dizer: toda mulher tem seu lado mulherzinha.

Rapazes, sejam fortes e persistentes!

Nós somos complicadas mas contamos com vocês!

(Que o mundo tenha mais amor, gentileza e meia sete-oitavos!)"

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Monotom

Esses dias descobri que canto em monotom.

Eu não sei bem o que isso significa, mas um amigo me disse isso e eu fui tirar a dúvida com outro que confirmou. É, eu canto em monotom.

Ainda não consegui entender o que é cantar em monotom, mas não deve ser bom, por que monotom me lembra monotonia e monotonia é um monstrinho do qual eu venho tentando fugir desde que fiquei solteira.

Mas agora, a monotonia da minha vida é não ter rotina. Já cansei das novidades, das pessoas novas, dos amigos de um só final de semana.

Pronto. Cai na rotina de não ter rotina e isso é pior do que aqueles sábados e domingos com programas certos e repetidos.

Acho que quero viver minha vida em monotom também. Por que essas idas e vindas cansam e essas surpresas do destino machucam.

Quero uma vida leve...
Quero noites de sono calmo...
Quero equilibrio e certezas...
Quero que a batida da minha música seja uniforme...

E por mais que a música não seja boa quanto cantada de um jeito só, acho que a vida precisa dessa tranquilidade para ganhar ritmo...

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

O mundo, com todo o seu mal, eu perdôo

Dizem que perdoar faz bem. E acho que faz mesmo. Tenho tido provas de que guardar rancor ou mágoa só faz mal para nós mesmos.

Hoje li esse texto no blog do Paulo Coelho e quero dividir com quem quiser ler!


As lágrimas que me fizeram verter, eu perdôo.
As dores e as decepções, eu perdôo.
As traições e mentiras, eu perdôo
As calúnias e as intrigas, eu perdôo.
O ódio e a perseguição, eu perdôo.
Os golpes que me feriram, eu perdôo.
Os sonhos destruídos, eu perdôo.
As esperanças mortas, eu perdôo.
O desamor e o ciúme, eu perdôo.
A indiferença e a má vontade, eu perdôo.
A injustiça em nome da justiça, eu perdôo.
A cólera e os maus-tratos, eu perdôo.
A negligência e o esquecimento, eu perdôo.
O mundo, com todo o seu mal, eu perdôo.
Serei naturalmente capaz de amar acima de todo desamor,
De doar mesmo que despossuída de tudo,
De trabalhar alegremente mesmo que em meio a todos os impedimentos,
De estender a mão ainda que em mais completa solidão e abandono,
De secar lágrimas ainda que aos prantos,
De acreditar mesmo que desacreditada.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Relembrando: Mulheres que amam demais



Todas as quartas-feira um grupo de cerca de 20 mulheres se reúne. Poderia ser para jogar conversa fora. Poderia ser para comer uma pizza. Mas não. Uma sala mal iluminada e cadeiras desconfortáveis guardam os segredos que o grupo não conta. Assim como nos narcóticos ou alcoólicos anônimos, o segredo e a ajuda mútua são as leis do grupo.

São mulheres que amam demais. São mulheres que sofrem ou já sofreram de dependência pelo parceiro e hoje estão buscando a felicidade. São mulheres como nós. São magras, baixas, loiras, altas, morenas, ricas, pobres, donas de casa, estudantes. O amor não escolhe.

São como nós. Mulheres que amam e por amar colocam o homem de suas vidas em primeiro lugar, deixando nossos desejos e vontades de lado. Quantas vezes nós não agimos assim? Quantas vezes não insistimos em um relacionamento que não nos faz felizes? Quantas vezes quem tem sempre a última palavra é ele?

“Quando amar é sinônimo de sofrer, então provavelmente você está amando o homem errado da maneira errada. Alguém que não pode retribuir seu amor... Mesmo assim você insiste, se sacrifica, anula sua personalidade e continua tentando”, explica Robin Norwood, no livro Mulheres que Amam Demais.

A gente ouve falar em tanta doença por aí que nem se quer percebemos que amar demais também nos traz sérios problemas . A necessidade constante de uma pessoa também é caracterizada como compulsividade e tem tratamento.

Não deixe que o amor se torne uma doença! Ame, mas acima de tudo, ame a você mesmo!


Dica: Para que quer conhecer um pouco mais sobre essas mulheres, por necessidade ou curiosidade, vale a pena ler o livro Mulheres que Amam Demais, de Robin Norwood ou acessar o site: http://www.grupomada.com.br/


Sobre: Esse texto foi postado inicialmente no Blog Moderna mas nem tanto, como parte da pesquisa do meu trabalho de conclusão de curso de jornalismo, que teve como tema a condição da mulher pós feminismo.
http://modernamasnemtanto.blogspot.com/2009/07/mulheres-que-amam-demais.html

sábado, 27 de novembro de 2010

Sobre namoros, baladas e tequilas

Depois da segunda tequila a festa inteira começou a girar. Bom, essa era minha intenção desde o momento em que eu aceitei ir nessa balada. Minhas amigas e eu tiramos a noite para, literalmente, enfiar o pé na jaca.

Juro que há muito tempo, acho que desde o meu primeiro ano de faculdade, não me divertia tanto. E naquela de tequila vai, cabeça gira, desce mais uma... fiquei com um cara, fiquei com dois.. e por aí foi.

Eu sempre fui um pouco contra sair por aí beijando na balada porque no fim, é mesmo só um beijo. Você volta pra casa, dorme e quando acorda nada mudou. Você ainda tá lá... Sozinha.

Mas pela primeira vez em muito tempo eu preferi acordar sozinha depois de uma noite cheia de beijos sem compromissos e teor alcoólico elevado.

Preferi ser solteira e sozinha também por que aquela frasezinha batida que todo mundo faz questão de falar é mesmo verdade: antes só do que mal acompanhado.

Olhei para o lado e vi aquele casal tão feliz e pensei que sim, se naquela noite existia algo sem sentido não era eu nem minhas amigas, nem os caras e muito menos as tequilas. Não fazia sentido aqueles beijos apaixonados, as risadas e os carinhos.

Até que ponto todo amor é verdadeiro? Até que ponto vale a pena ter alguém ao seu lado? Até que ponto você pode confiar em quem está com você?

Pensei em como a Mulher Melancia – sim, a funkeira- teve, com sua pouquíssima inteligência, a capacidade de cantar uma música totalmente verdade: É melhor tu ser solteira do que ser uma chifruda! Porque homem a gente escolhe, quando enjoa a gente muda!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Nada é coincidência



Faz umas três semanas que eu comecei a ouvir uma rádio de pagode, todas as manhãs, para me animar. Até que, segunda-feira, resolvi ir pro trabalho um pouquinho mais cedo, pois não tinha conseguido dormir. Liguei o celular e sintonizei aquela rádio. Pra minha surpresa, quem estava falando? O Padre Abério Christie.

Eu sei que pra maioria das pessoas isso não significa nada, mas pra mim, teve um sentido absurdo. Passei toda minha infância ouvindo as bênçãos do Padre Abério com minha avó e, desde que ela faleceu, há 11 anos, nunca mais tinha escutado falar dele.

Bem nesse dia seu sermão falava sobre nada ser coincidência e sim providência de Deus.

Pensei muito nisso a segunda inteira e me senti extremamente confortada.
Mas a correria do dia a dia me fez esquecer disso. Trabalhei demais, fiquei irritada, perdi a paciência e fiquei doente. E, quando tudo dá errado, quem consegue manter a fé?

Entrei no metrô hoje desejando apenas que meu dia passasse logo. Até que uma moça sentou com sua filha na minha frente. A menina, aparentando ter uns 4 anos, ficou me olhando fixamente. Normalmente, eu gosto de crianças. Mas hoje, hoje não. Olhei pra ela e resolvi ignorar. Pensei: Que droga, eu querendo dormir e essa menina me encarando.

Quando fechei os olhos para dar aquela dormidinha básica, senti uma mão em mim. Acordei assustada e olhei. A menina pentelha tinha me chamado, por que queria me dar um chiclete.

Comecei a falar com ela e ela não respondia, só sorria. Então a mãe dela me contou que ela tinha um problema de formação no pulmão e não conseguia falar. Começamos a conversar só por gestos e, quando ela me mostrou sua sandália, eu sorri. Na linguagem dos gestos, ela pediu para a mãe dela me dizer que meu sorriso era lindo e que eu não devia ficar tão séria.

Naquela hora tudo parou e eu realmente vi um filme passar na minha cabeça: todos esses últimos dias desanimada, toda a vontade de desistir, as reclamações, a vontade de chorar e por fim, a menina do metro e o padre falando na rádio.

Quando a mãe dela me disse que ela seria internada em poucos minutos para fazer uma cirurgia, ela falou, novamente por meio de gestos: vou ficar boa e poder conversar com você, moça.

Nada é coincidência mesmo, pensei. Tive que encontrar uma menina tão pequena, ainda frágil, para ela me ensinar que a gente não pode se deixar abater. A Kelly, com seus quatro aninhos e sem palavras, apenas com o olhar, me fez acreditar no poder de um sorriso e na importância de manter a fé.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Quem sabe

Todo mundo parece não ser bom o suficiente pra mim, já que você faz questão de elencar os defeitos de cada cara que se aproxima de mim. A critica pode ser para o boné, para o jeito de falar, para o nome, para o som do carro. Qualquer coisa normal pra você se torna ruim nos outros caras.

E eu ainda ouço todos esses comentários. E o pior: levo em consideração, por que você tem razão. Nenhum cara que me envolvi depois que te conheci é tão bom quanto você mesmo.

Ninguém me olhou do jeito que você me olhava, nem segurou minha mão de um jeito que eu poderia ficar ali, de mãos dadas pra sempre. É fato. Ninguém faz a massagem que você faz nem me beija do jeito que eu sempre sonhei: na testa! Também nenhum cara fala todas as verdades que eu preciso ouvir nem me dá todos os conselhos que eu insisto em não aceitar.

Você tem razão. Perto das nossas conversas todos os outros parecem uns babacas.
Então, por favor, me explica por que você se importa e eu continuo me importando com o fato de você se importar, mas não faço nada para mudar?

Me diz porque naquele dia, chorei escondida em seus braços pra você não perceber que se eu me faço de forte é porque seu abraço me desmonta. Chorei por que quando eu digo que não te quero do meu lado é como se eu estivesse dizendo que quero não querer, mas que em alguns momentos, sua presença é o que eu mais quero. Chorei sem deixar você perceber minhas lágrimas por que quando conto de outros garotos pra você tudo o que me importa é ver em seu rosto aquela pontinha de ciúmes e raiva que você tenta esconder.

Te abracei mais forte e chorei, chorei por que fingi que não me importava em não te ver mais, quando na verdade já tinha chorado antes com medo de isso acontecer.
E logo eu, que sempre faço tanto barulho, chorei em silêncio pra você não perceber que todas as vezes em que eu te disse que não me importava eu estava mentindo.

Olhei pra cima, engoli o choro e dei um sorriso meio amarelo, sem vida. Não consegui olhar nos seus olhos, não consegui segurar sua mão e não consegui te dar um beijo de tchau. Também não consegui te dizer tudo o que eu tinha ensaiado.

Quem sabe um dia eu possa te encontrar e contar que tudo o que eu te disse até hoje na verdade significava justamente o contrário? Quem sabe eu não possa te dizer que sim, eles são mesmos uns otários. Quem sabe...

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Ei

Ei, não tenta entender as voltas que eu dou sozinha. Deixa só um mistério estranho de filme trash. Ninguém quer descobrir o que há por trás da mulher diferente, mas ela ainda é a mulher diferente que deve ser descoberta.
Passo horas falando pra ficar muda de repente, passo toda a segurança do mundo pra me derrubar em medos bobos. É que tudo fica mais legal em constante mudança. E eu nem sei mais ser a mesma sempre.

Verônica H.

Te quiero, sí te quiero

Te quiero, sí te quiero
Voy andando como fiera tras tus pies, amor
Te veo y te deseo pero tú tienes tu dueño y no te puedes zafar

Los días se pasan sin ti
Las noches se alargan sin ti, sin tu amor, sin tus besos

Ay, si tuvieras libertad, a tu lado yo estaría, amor
Hey, dame, dame una señal, cuando seas libre mi amor
Ay, no lo puedo soportar
No me quiero derrumbar
Mándame un mensaje, una señal
Manda una señal de amor
Manda una señal, amor

Te veo acorralada de unos brazos que no te dejan mover
Te deseo y me deseas pero estás muy aprisionada, corazón
Y no viviré sin tu amor
Y no pararé hasta tener tu amor y tus besos

Hey, estoy viviendo sin vivir
Estoy muriendo sin poder morir
Hey, dime, dime, tell me too, cuando seas libre mi amor

Ay, no lo puedo soportar
No me quiero derrumbar
Mándame un mensaje, una señal
Mándame tu luz, amor
Manda una señal, amor

Vivir, sin ti vivir, estarse muriendo sin morir
Estar, sin ti estar, estarse muriendo sin morir
Amor, dónde estarás, manda un mensaje, una señal
Y no, no pararé, no viviré sin ti, amor... ¡NO!


Tempo


Eu nunca acreditei muito nessas coisas de dar tempo ao tempo e esperar uma intervenção divina. Como filha única mimada pela avó me acostumei a ter tudo na minha hora, quando bem entendesse.

Sempre me diziam que ia chegar uma hora em que eu ia ter problemas com esse meu jeito. Juro que mudei um bucado dos meus 10 anos para cá, mas nunca deixei de lado essa minha característica – ou defeito – de querer tudo da minha maneira, sempre.

Cheguei aos 23 anos sendo uma garota um tanto quanto imediatista, para não dizer mimada. E, ao contrário do que diziam, isso nunca me causou grandes problemas.

Mas acontece que um dia a gente cresce. E eu cresci da maneira mais simples possível. Não foi tendo um grande trauma, nem apanhando da vida.

Cresci de verdade hoje, quando abri meu e-mail e vi que uma coisa que eu desejava muito, uma coisa que eu passei meses e meses tentando, insistindo e brigando para conseguir, aconteceu nessa manhã, quando eu menos esperava.

Não adiantou nada eu ter sofrido horrores, ter me descabelado e ter ficado batendo na mesma tecla, sozinha, para resolver quando eu achava que era a hora.

A vida é mesmo engraçada e vem me provando todos os dias que nem sempre o que a gente quer é a melhor coisa, ou que nem sempre o nosso tempo é o tempo correto.

E a mensagem subliminar do dia pra mim foi:
Vamos começar a dar um passo de cada vez, para parar de tropeçar?

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Cyrus

Ficamos o dia todo escolhendo um filme bacana para assistir hoje à noite e esse parecia mesmo ser o mais legal.

Quando chegamos ao cinema, eu estranhei a sala vazia pra ser uma comédia, mas vai entender, esses cinemas de São Paulo são mesmo estranhos, tem até cinema que não vende pipoca, então esperei o filme começar.

E quando o Cyrus apareceu na tela me enxerguei totalmente nele. Simplesmente por que todos nós vivemos a procura de alguém para amar e quando achamos sufocamos tanto essa pessoa que o amor vai embora e o que resta é a posse, a dependência.

Fiquei pensando em quanto mal eu já fiz paras as pessoas que eu mais amava querendo guardá-las só pra mim. E no fim, o que aconteceu? Ou as deixei infelizes ou acabei perdendo-as.

Sai do cinema tendo mais certeza do que nunca que aquela coisa de “deixar as coisas que amo livre” faz o maior sentido do mundo.


Mais sobre o filme: http://www.imdb.com/title/tt1336617/

Inspiração muda tudo!



E não é que um sorriso muda tudo mesmo?

Faz algum tempo já que eu adotei isso como filosofia de vida e vivo sorrindo por aí. Desde então, só coisas boas me aconteceram... Desde fazer amizades com crianças e idosos até ganhar um copo de vodka de um bêbado na Augusta, neste sábado.

Mas às vezes um sorriso é mesmo capaz de mudar nossa vida. E foi isso que aconteceu comigo.

Sábado passado foi o casamento da minha prima. Eu estava muito feliz mesmo, lógico. E quis repartir minha felicidade com todo mundo, até com quem eu não conhecia. E sai falando oi pra todo mundo, coisa que eu sempre faço, é verdade.
O mais engraçado é que uma semana depois, quando entrei no meu twitter, vi que um dos meninos do casamento tinha me enviado o link com as fotos da festa dizendo que tinha me achado muito gente boa, pela minha simpatia.

Tweet vai, tweet vem, transferimos a conversa para o msn e li uma coisa que nunca vou me esquecer: continue assim, com esse seu caráter e essa simpatia, por que a vida desse jeito é muito mais divertida.

E aquela minha noite de domingo que estava beirando o tédio simplesmente se transformou em uma conversa animadíssima, que continuou pela segunda com direito a crise de risos e sessão de terapia e, se tudo der certo, vai continuar por muito tempo.

Veja bem, meu bem

Veja bem, meu bem
Sinto te informar que arranjei alguém
pra me confortar.
Este alguém está quando você sai
E eu só posso crer, pois sem ter você
nestes braços tais.

Veja bem, amor.
Onde está você?
Somos no papel, mas não no viver.
Viajar sem mim, me deixar assim.
Tive que arranjar alguém pra passar os dias ruins.

Enquanto isso, navegando vou sem paz.
Sem ter um porto, quase morto, sem um cais.

E eu nunca vou te esquecer amor,
Mas a solidão deixa o coração neste leva e traz.

Veja bem além destes fatos vis.
Saiba, traições são bem mais sutis.
Se eu te troquei não foi por maldade.
Amor, veja bem, arranjei alguém
chamado "Saudade'.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Cinema?

Depois de ter enrolado o garoto por quase um mês decidi ir ao cinema com ele.
Quanto estava quase pronta pra ir encontrá-lo, desisti. E como sou extremamente madura, decidi não ligar. Só desliguei o celular e bloqueei no msn para não ter como ele me encontrar.

Senti um pouco de peso na consciência mas senti que eu estava sendo mais sincera não indo do que chegar no cinema e ficar o tempo todo pensando em outra pessoa.
Foi algo como: eu vou mentir que vou, mas não vou. Só que não vou mentir que estou curtindo pq certeza que quando entrasse no cinema minha maior preocupação ia ser não deixá-lo encostar em mim.

Então, quando, às dez da noite, resolvi ligar meu celular vi que ele tinha mandado inúmeras mensagens. E o sinal mal voltou, meu telefone começou a tocar. Caramba. Dez horas, já haviam se passado três horas e ele ainda estava lá, me esperando no lugar combinado.

Aí eu me arrependi. Não por ter ficado com peso na consciência ou ter sentido dó dele. Me arrependi por mim mesmo. Por que se o cara além de bonito e inteligente, o que eu já sabia que era, te espera por três horas, com certeza a idiota da história fui eu, que perdi a chance de sair com alguém que valesse a pena.

Pois é, essa sou eu. Desde que me lembro por aí dispensando as pessoas legais e ficando a fim dos idiotas.

Olha


"Olha, eu estou te escrevendo só pra dizer que se você tivesse telefonado hoje eu ia dizer tanta, mas tanta coisa. Talvez mesmo conseguisse dizer tudo aquilo que escondo desde o começo, um pouco por timidez, por vergonha, por falta de oportunidade, mas principalmente porque todos me dizem que sou demais precipitado, que coloco em palavras todo o meu processo mental (processo mental: é exatamente assim que eles dizem, e eu acho engraçado) e que isso assusta as pessoas, e que é preciso disfarçar, jogar, esconder, mentir. Eu não queria que fosse assim. Eu queria que tudo fosse muito mais limpo e muito mais claro, mas eles não me deixam, você não me deixa"

Caio Fernando Abreu

domingo, 14 de novembro de 2010

Não quero mais a realidade comum. (*)

"O mundo me prefere com dois braços e duas pernas, mas não sei mais ser humana. Sorrir cansa. Chorar cansa. Mas o que mais cansa é procurar desesperadamanete um intermediário e esquecer que o mundo é mais que aparências.

Eu sou volúvel. Grande surpresa. Mas ser volúvel também cansa. Porque ninguém leva a sério alguém que passa a semana chorando pra ficar bem na semana seguinte. Como se fosse preciso ser feliz pra sempre ou triste pra sempre pra ser alguma coisa de verdade.

Não quero mais a realidade comum. Isso é o que mais cansa, pra ser bem sincera. Tenho até arrepios de pensar num futuro escrito e óbvio nas prateleiras de gente sem sal. Só de saber o que vai ser de mim, já quero ser outra coisa. Uma coisa nova e diferente, pra quebrar o que é certo.


Verônica H.




(*) Decidi, a partir de hoje, postar alguns textos que não são meus, mas que dizem exatamente o que eu gostaria de dizer.

Gosto...

Acordei já pensando no que eu te escreveria.

Quis, na verdade, dizer um milhão de coisas. Mas resumi minha mensagem a apenas uma palavra. Não foi o que eu queria dizer, só um aviso: não te esqueci.

E enquanto tomava meu café pensei que sou mesmo uma idiota por dizer que me arrependo de ter estado aqueles 5% mais bêbada, já que costumo falar que se tivesse ingerido um pouquinho menos vodka não teria deixado aquilo acontecer.

Mas meu Deus, você foi a primeira pessoa que me fez sentir uma coisa boa e somente uma coisa boa, sem aqueles outros sentimentos que estragam tudo. Eu gosto mesmo de você. Mas é um gostar tão simples e maduro que ele não vem acompanhado de ciúmes, posse, dependência, costume. É só um gostar. Sem explicação e sem motivo.

Pela primeira vez eu gosto de alguém sem esperar nada dessa pessoa, gosto sem cobrar, sem querer mais, sem planejar o futuro. E como isso é bom.

Gosto por que teu beijo me deixa com vontade de quero mais.


Gosto por que suas broncas chegam no momento que eu menos espero e me fazem ver a vida de outro jeito.

Gosto por que posso ser eu mesma e pq te quero exatamente como você é.

Gosto muito por que não te entendo, não te decifro e não sei o que passa na sua
mente.

Gosto por que você some e eu não me importo. E gosto mais ainda por que de repente você volta e tudo continua numa boa.

Gosto por que sei que esse fim com ctz vai chegar antes desse gostar ter virado o que chamam de amor, mas que, no fundo, é só uma doença que junta dependência e carência.

Menina na Augusta


Apesar de já ter 23 anos, algumas coisas que eu faço me fazem sentir mais adulta.
E ontem foi assim. Desci do metro sentido Rua Augusta e fiquei surpresa ao ver toda aquela gente misturada. Como pode ser que existam tantas pessoas com tantos estilos diferentes?

Eu deveria ter apertado o passo, afinal, todo mundo ficava me avisando: Não ande por lá sozinha a noite. Mas fiquei com tanta vontade de registrar cada movimento que comecei a andar mais devagar.

Então me senti uma menina ao olhar para as minhas roupas. Enquanto todos seguravam bebidas e cigarros, eu carregava meu celular e ouvia o novo cd da Sandy.

Olhei para os grupos de meninos com jaquetas de couro, um outro grupo com meninas vestindo shorts curtos e meias, alguns garotos de chapéus, skatistas, grupinhos gays, homens beijando homens e meninas beijando meninas e fiquei um pouco assustada pensando em como eu não conhecia nada daquele mundo onde as pessoas ousam sem se preocupar com o que os outros vão pensar.

Olhei de novo para minha calça jeans e meu colete cinza e pensei que eu era mesmo uma menina. Mais velha que a maioria das pessoas ali, porém com muito menos experiências malucas do que todos que eu observava.
Continuei descendo e então me lembrei de uma coisa que antes me divertia muito. Eu costumava olhar para cada pessoa e imaginar o que estava por trás daquele rosto, o que aquela vida escondia, quais seriam seus sonhos, seus medos, suas angustias e seus arrependimentos.

Diminui ainda mais o passo e fiquei observando garotas que sem nem ter 15 anos ainda já estavam ali, sentadas na calçada tomando cerveja. Olhei para garotos que de um jeito confuso falavam sem parar coisas sem sentido. Vi a moça bonita que de saia curta e meia arrastão faria um programa para garantir o dinheiro da noite e vi o bêbado sentado no chão, cantando sozinho. Quantas vidas eu teria que ter para entender o que se passa na cabeça de cada um?

Estar sorrindo nem sempre significa ser feliz, pensei. Se jogar assim no mundo pode significar justamente falta de confiança e não excesso de coragem. Fechei os olhos e fiquei imaginando o quanto cada pessoa tinha um vazio ali em seu peito, pensei em como cada corte de cabelo ousado ou cigarro fumado pode significar simplesmente um pedido de ajuda para se encaixar nesse mundo tão louco. E então fiquei feliz por não me encaixar muito bem naquele cenário onde juventude, drogas e sexo parecem sinônimos.

Agradeci por ter 23 anos e não ter vivido aquelas coisas tão excitantes que as meninas estavam vivendo. Agradeci por ter tomado meu primeiro copo de cerveja aos 20 e por ainda não saber fumar um cigarro. Agradeci a Deus por ainda ter uma mãe que me liga pra saber onde e com quem estou. E agradeci mais ainda por nunca ter feito o que os outros achavam que eu devia fazer, por manter meu estilo sem me importar com a moda da turma e por nunca ter deixado meus valores para trás.

Olhei pra mim e vi que aquela garota ouvindo musica era na verdade uma mulher e uma mulher que deveria ter orgulho de si mesma por nunca ter precisado usar de subterfúgios para mostrar o quanto havia crescido.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Seis meses

Hoje faz seis meses que você se foi.
Seis longos meses quando, durante todos os dias, senti sua falta. Desde aquele dez de maio decidi acreditar ainda mais em Deus, confiar no que dizem “tudo acontece por um motivo” e tentei ser forte lembrando de todas as lições que você me deixou.

Mas as vezes eu simplesmente não consigo.
Quando sinto o cheiro de café fresco, me lembro das manhãs em que você me acordava.
Quando leio qualquer coisa sobre política, sei exatamente o que você diria e que partido apoiaria.
Quando alguma coisa dá errado sinto vontade de correr pra perto de você e ficar quietinha, do seu lado, sem falar nada, só esperando todos os meus medos passarem.
Acho que nunca me dei conta disso antes, mas com você eu era mais forte. Com você eu podia enfrentar tudo de mal e com você eu não tinha medo.
Da maneira mais literal, você foi um herói e tudo o que eu queria era ter tido mais tempo para aprender com você essa sua maneira de sempre segurar as pontas e resolver o problema. Eu queria ter me tornado mais humana, mais adulta, olhando seu exemplo.
Mas de tudo o que eu desejo, o que eu mais queria mesmo era poder chorar e saber que você sempre ia me apoiar, não importa o que eu fizesse. Hoje, por exemplo, era um daqueles dias que só o seu olhar ia me tranquilizar.

Próxima estação

A viagem de metro nunca foi tão longa.

Fiquei olhando pro túnel escuro esperando chegar até a próxima estação que, pra mim, parecia estar a horas de distância.

Quando o trem parou na minha estação preferida olhei de novo para aqueles rostos colados no vidro, que todo dia me fazem pensar em como minha vida é boa.

Só então percebi que ninguém estava olhando pra mesma coisa que eu, por que todo mundo do meu vagão olhava pro meu rosto cheio de lágrimas.

“Eu não fiz a escolha certa”, pensei. Comecei a chorar mais ainda.

Peguei meu celular na bolsa para ouvir música, na tentativa de me acalmar.

E foi bem isso que eu ouvi:

“Ahhh
Ora, se não sou eu
Quem mais vai decidir
O que é bom pra mim?
Dispenso a previsão!
Ah, se o que eu sou
É também o que eu escolhi ser
Aceito a condição”


quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Mais que isso

Às vezes a vida nos prega umas peças e parece que ela quer mesmo testar nosso grau de maturidade. Ou melhor, parece que a vida e suas surpresas acontecem para que possamos provar que nos resta ainda um pouco de sanidade.

E eu nem sempre consigo corresponder as minhas expectativas. Mas ultimamente tenho respirado fundo e me surpreendido comigo. Eu poderia entrar em competições e joguinhos, mas resisto. Não me apetece saber quem tem mais poder em algumas situações e até aprendi a enxergar qualidades naqueles que querem meu mal.

Não sinto raiva. Quando a situação é extrema, o que antes me deixaria irritadíssima hoje em dia só me faz sentir dó. E não é por que me sinto superior. É por que me sinto igual. Por que muitas vezes me vi a beira de fazer certas besteiras e consegui evitá-las.

Talvez porque, quando a dor é forte demais, você precisa de um amor, um amigo e de sua família. Mas você precisa antes de qualquer coisa acreditar em você. Ter fé que o seu futuro é muito maior do que aquele sentimento ruim do momento. E olhar pra frente, sem medo de se desapegar do passado e construir uma nova história. Acreditar que você merece sempre mais do que tem agora. E saber que desejar o mal aos outros não te faz mais feliz.

Se eu pudesse olhar nos seus olhos e te dizer uma frase apenas, eu diria do fundo do meu coração: você merece muito mais do que tudo isso, vá em frente.

E quando a dor bater, a vontade de ligar for tão forte ao ponto de você achar que não vai resistir, ou quando sua vida parecer não fazer mais sentido, pare, respire fundo e pense em tudo o que você ainda tem para viver.

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

Hoje é aniversário da minha amiga Amanda Campos que, por pura coincidência da vida, está sentindo a mesma coisa que eu neste momento. Esse texto é pra ela, esse texto é pra mim e esse texto é pra você que precisa se dar uma nova chance de ser feliz ...




terça-feira, 2 de novembro de 2010

A poesia da minha tia





“Veio alguém bateu na porta, vacilei não quis abrir.

Pensei que fosse a saudade, que vive a me perseguir.

Bateu de novo com força, mas depois não insistiu.

Desceu as escadas em silêncio e para sempre partiu.

Partiu deixando na porta essas palavras fatais:


Eu sou a felicidade e não voltarei jamais”.


Eu nem sabia ler direito quando minha tia escreveu esse poema no meu caderninho de recordações. Eu imaginava uma gota grande, azul e brilhante subindo as escadas do sobrado da minha tia e batendo na porta do quarto dela. Para não abrir, com medo, ela ficava deitada embaixo do cobertor.

Perdi a conta de quantas vezes imaginei essa cena e hoje, quando acordei, lembrei dessa poesia e de novo veio a imagem da felicidade que, durante anos, pra mim, foi materializada em uma gota azul que andava de um lado para o outro esperando alguém abrir a porta e aceitá-la. Passaram-se quase 16 anos e só agora essas palavras fazem sentido para mim.

Queria acreditar que todos aqueles nãos que disse aos caras que tentaram entrar na minha vida nesses últimos oito meses foram corretos, mas não. Perdi a chance de abrir a porta para o novo por medo de sentir aquela coisa ruim da despedida de novo.


Não quis andar de mãos dadas - Já pensou se alguém me vê com ele?

Não aceitei ir ao cinema – Ver filme é coisa de namorado

Desmarquei milhares de jantares – Prefiro ficar com as amigas

Cantei músicas exaltando a vida de solteira – Dizem que é melhor ficar sozinha do que mal acompanhada

Deixei aquele cara gato me esperando sem avisar que não ia vê-lo – Eu tava cansada, juro.

Não atendi as ligações depois daquele beijo – Não encaixou, sabe? Ou eles beijavam molhado demais, ou devagar, ou seco e sem graça.

Mas só agora, nessa terça-feira típica de primavera, com o sol batendo na minha janela, me senti sozinha e aí, lembrando da poesia da minha tia pensei: quantas portas deixei fechadas por medo de sofrer? Quantas oportunidades joguei fora tentando não me envolver? Quantos momentos não vivi me apegando ao que já tinha acabado?

Sai medo, sai... Não vou mais dar chance a esse sentimento ruim que me impede de ser feliz, vou dar uma chance a mim, pq só eu posso abrir a porta pra felicidade entrar, antes que ela desista de me alcançar.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Meio

Eu te conheci em um dia meio sem graça. Quase às seis da tarde, quando já não queria mais estar ali.

E você se aproximou em uma tarde meio cinzenta e quando sua mão encostou em mim eu fiquei meio sem entender.

E no dia em que eu estava meio sem saber o que fazer, você puxou a minha mão e me deu um beijo.

Eu meio que gostei, meio que fiquei confusa.

O tempo foi passando e eu, meio sem entender, fui gostando dessa história incompleta.

Até que eu percebi que o nosso meio romance, que não teve começo, chegou ao fim.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Destino?

Existem milhares de coisas que me fazem querer estar ao seu lado, mas talvez, o motivo que me deixa com mais saudade é quando eu estou com um outro garoto e concluo que nenhum, nunca, irá se comparar a você.

Hoje enquanto voltava pra casa pensando que para você minha casa não era longe e que sempre quando eu estava triste você me abraçava e me fazia rir, comecei a chorar.

E chorei sozinha ao concluir que se quando eu te conheci eu era a menina do sorriso bonito hoje sou a mulher dos olhos tristes. E chorei ao querer te ligar e não poder. E também chorei pq fiquei com medo de te mandar um e-mail e você não responder.

Mas na hora em que meu celular tocou e eu ouvi: Pam? Sabe quem é?

Eu não quis acreditar. Achei que tava sonhando. Mas não. Você me ligou na hora em que eu mais precisava ouvir sua voz. Do outro lado do mundo.

Senti como se você tivesse ao meu lado naquelas manhãs frias em que a gente não ia pra faculdade. Senti meu corpo estremecer da mesma maneira que senti quando você disse que me amava a primeira vez. E quis sair correndo te abraçar como quando te via chegar... Mas dessa vez não ia ser tão fácil...

Cheguei em casa e coloquei a aliança no meu dedo. Não vou tirar. Não quero tirar.

Quero te esperar voltar.

Vou contar todos os dias para te ter ao meu lado novamente.

Cumprirei minha promessa.

Voltei a acreditar que amar vale sim à pena e que quando um amor é de verdade nunca acaba.

domingo, 24 de outubro de 2010

Palmeiras x Corinthians

Eu lembro que a primeira vez eu que eu te vi você estava com a camiseta do Corinthians. O seu time tinha perdido no domingo e na segunda-feira você fez questão de entrar no Centro de Convivência da Meto usando aquela coisa que você chamava de manto.

Depois o seu amigo veio e perguntou: Quer ficar com aquele corinthiano ali? E eu disse que não. Até por que, pra mim, palmeirense convicta desde os 5 anos “aquele corinthiano ali” não pareceu nada atraente.

E não é que a gente ficou?

E um dos nossos passatempos prediletos era discutir sobre time. Eu me esforçava, entrava na Gazeta Esportiva, decorava a tabela do Brasileirão, tudo pra te contrariar.

Na hora do jogo, fingia torcer contra, mas eu, que sempre fui apaixonada pelo Verdão, no fundo, não queria mais ver o seu time perder.

Chorei com você no dia do rebaixamento, vesti a camisa do Corinthians pra ir no estádio e até no museu do seu time fui.

Vira casaca? Não...apaixonada.

Só queria mesmo que o Corinthians perdesse quando o jogo era contra o meu Verdão. E o pior é que nem era por causa do time... Queria ganhar sempre as nossas apostas e te ver, contrariado, pagando a conta do nosso jantar caso seu time perdesse.

E eu te ligava, ria e se o meu time perdia, tudo bem. Queria mesmo te ver feliz.

Por isso hoje, quando a Globo anunciou o clássico deste domingo, não quis torcer pelo Palmeiras. Não quis nem lembrar de como era engraçado a gente brigando, se provocando e no fim, saindo pra jantar.

Desde que a gente terminou, essa é a primeira vez que nossos times se enfrentam. Isso me ver o quanto ainda sinto sua falta.

Nem torcer pelo meu time do coração faz mais sentido agora que você não está aqui comigo.

domingo, 17 de outubro de 2010

Bienal de Arte

Na semana passada fui à Bienal de Arte com meus amigos.

Por um bom tempo fiquei encantada com alguns quadros e obras, principalmente aqueles com os quais era possível interagir.

Em alguns momentos eu passava por um desenho ou uma escultura e decidia: não entendi, vou para a próxima.

E ontem, como passei o dia todo vendo palestra e tive bastante tempo para pensar, conclui:

As pessoas são mesmo como obras de artes. E não é só em relação aos padrões de beleza. Algumas são como aquelas peças em que a gente interage e se encanta, por que não ficamos parados, sozinhos.

Outras pessoas são aquelas que mesmo sem a gente conhecer a fundo, sente aquela sensação boa, como se olhássemos um quadro com cores suaves.

O problema mesmo são aquelas pessoas cheias de enigmas, que por mais tempo que você passe analisando, não consegue entender. Tipo uma arte abstrata e totalmente sem sentido que só quem decifra é o autor.

No começo esse mistério pode até atrair, mas cansa. E como na Bienal, com essas pessoas que mais se parecem com um ponto de interrogação, decidi tomar a mesma decisão: melhor passar pra próxima.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

A tatuagem

Eu não gostei de você quando te vi.

Não gostei de você na primeira vez que conversamos e naquela balada, quando você me agarrou, fiquei ainda com mais raiva.

Isso faz uns seis anos. Eu olhava pra sua tatuagem e pensava: cara idiota.

A expressão estava na moda e todo mundo escrevia isso em todo o lugar. Então resolvi o que significava.

Carpe Diem: "colha o dia". Colha o dia como se fosse um fruto maduro que amanhã estará podre. A vida não pode ser economizada para amanhã. ...

Não fazia sentido.

Eu tinha 17 anos e vivia em um mundo perfeito onde tudo seguiria correndo bem, sem que eu tivesse que ter pressa para aproveitar os bons momentos.

Mas o destino é mesmo uma coisa muito engraçada e logo eu, que sempre impliquei com você e logo você, que era tão estúpido comigo, resolvemos sair para tomar uma cerveja.

E enquanto eu olhava pra você e falava sem parar, só te vendo rir e discordar,pensei: como eu não gostava dele?

E um pouco mais tarde, quando olhei de novo pro seu braço esquerdo e vi sua tatuagem entendi tudo.

A expressão que nunca fizera sentido pra mim se encaixou perfeitamente na minha vida.

E na noite que eu mais precisava aprender a aproveitar o momento, o cara que eu julgava ser o mais idiota me encheu de alegria.

O destino é mesmo uma coisa muito engraçada.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Primas



Algumas pessoas dizem que os amigos são a família que nos permitiram escolher. Não é que eu discorde, apenas acredito que quando encontramos verdadeiros amigos dentro de nossa família os laços de sangue e de afinidade ficam ainda mais fortes.


Sempre tive primas mais velhas e o que eu mais gostava em uma era as calças de boca larga que ela usava e não me serviam. Em outra, me encantava o fato dela ter ido estudar em outra cidade.


Quando chegavam os domingos e elas vinham na minha casa, ficava pensando por que eu não era um pouco mais velha ou elas um pouco mais novas para que pudéssemos ser amigas.


O tempo passou e eu achei que com o fim das tardes de brincadeiras na casa da vó acabasse também o nosso contato. Mas entre uma festa de família aqui, uma conversa no MSN ali, nelas eu encontrei verdadeiras amigas. Sabe aquele tipo de amizade que entende, compartilha, ajuda, compreende? Aquelas amigas que te fazem rir com a maior besteira ou te dão aquele conselho super sério?


Hoje, com 23 anos, ainda olho para elas com o mesmo olhar de admiração de quando era uma menina. Mas saber que as tenho do meu lado para qualquer situação me tranqüiliza e me faz feliz.


Se eu tivesse que escolher duas pessoas no mundo inteiro para fazerem parte da minha família seriam elas... As primas mais amigas que qualquer pessoa poderia ter e que para minha sorte só eu tenho.



Obs: Já dizia minha prima Tatiane: família carente é foda


Obs2: “Primo não é irmão, primo não é amigo. Às vezes eu penso: Primo é um castigo” Poema da Flávia

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Decidi



E o dia que eu tanto esperei chegou.


Marquei a data como um divisor de águas e me comprometi a, neste dia, resolver o que fazer da minha vida.


A despedida, as promessas não cumpridas, o telefonema, as respostas pra minhas perguntas e o silêncio enquanto eu chorava me fizeram sentir o mundo girar e o chão sumir dos meus pés por alguns instantes. Procurei um abraço que não encontrei e só assim pude ver que a minha vida tinha mesmo que seguir em frente.


E enfim tomei a decisão que tanto adiei: não quero, nunca mais, beijos sem paixão, encontros obrigatórios, programas repetidos e conversas sem empolgação. Não quero um namoro que tape um buraco e depois me acostume a viver a vida sem prazer. Não quero me sentir menos viva, menos feliz, menos eu mesma somente para agradar alguém.


Escolhi esquecer as coisas ruins que aconteceram. Optei por parar de achar que os homens são todos iguais e juro que não vou mais começar um relacionamento pensando em como ele vai acabar.


E decidi também dar mais uma chance ao amor. Ou melhor, resolvi acreditar e apostar que sou capaz de amar novamente...



segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Por que os homens mentem e as mulheres choram?


Sinceramente, nunca li esse livro e até hoje não descobri porque toooooodos os homens insistem em achar que podem enganar uma mulher. É obvio que não podem, pois além de tudo temos uma coisa que eles não têm: sexto sentido.


Lembro como se fosse hoje. Eu tinha só 17 anos e estava indo pro shopping com meu namoradinho. Quando entramos no ônibus vi que ele estava esquisito. Fiquei só observando. Então ele abriu a carteira para pagar a passagem e eu vi, bem dobradinho, um folha do ursinho Pooh. E pedi:


-Deixa eu ver?


-Não é nada, amor..


-Se não é nada, me deixa ver...


E ele não deixou. Eu ainda era uma menina que acreditava em contos de fadas. Mas a vida me deu um empurrãozinho para eu deixar de ser tão ingênua.


Uns dias depois o esperto me pediu para guardar a carteira dele na minha bolsa. E eu guardei. Esperei ele sair de perto e louca para descobrir o que era aquele papel, fui logo ler. O canalha tinha um bilhete de uma menina, que até hoje chamo de Regordinha, escrito: Ich Liebe Dich.


Quando ele chegou mostrei o bilhete e ele chorou copiosamente. Não negou... Só disse que não tinha feito por mal.


Hoje, seis anos depois, já me habituei a essas mentiras que eles contam sem ter má intenção. Não é que não me importo ou aceito. Apenas não dou a mais nenhum homem o gostinho de me ver sofrer por causa de sua falta de caráter. É como dizem: nenhum homem merece suas lágrimas. E aquele que merecer não te fará chorar.


Eu ainda não sei por que eles mentem. Mas infelizmente sei por que as mulheres choram. Todas, assim como eu, têm a esperança de achar alguém que mereça todo o amor que temos para dar...

domingo, 19 de setembro de 2010

Missão cumprida

Nada vai poder mudar a felicidade que eu estou sentindo desde quinta-feira.

Aliás, sempre comemoro quando termino um trabalho, mas esse foi especial.

Nunca imaginei que trabalharia em um hospital, mas esse foi meu job por quase três meses. Até hoje, o meu maior desafio. Além de estar a três horas de distância da minha casa, o melhor hospital da América Latina fica no meio de uma guerra de egos, onde receber um bom dia pode ser considerado um milagre;

Inclusive, posso garantir que a melhor hora do meu expediente era quando a faxineira ou o moço do café me desejavam boa tarde e almoçar ao lado de médicos falando de tumores e operações me fez adorar comer, todos os dias, um lanche natural de atum dentro da minha sala. Sala, aliás, que não tinha janela e onde meu celular não tinha sinal.

Mas acho que o mais difícil mesmo foi ficar todo esse tempo sozinha. Passei tardes e tardes pensando em mim mesma. Aguentei minhas duvidas, tristezas e toda minha carência.

Agora, com o trabalho cumprido, longe daquele mundo tão gelado e ao mesmo tempo tão quente, consigo enxergar claramente que a minha função não era apenas fazer um relatório sobre práticas do RH. Minha missão era muito maior e eu consegui. Descobri que eu sou e sempre vou ser minha melhor companhia e que sozinha posso vencer todos os desafios que a vida colocar pelo caminho.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Tr 101

Gosto mesmo quando o ônibus que chega primeiro no ponto é o que para longe da minha casa. Gosto de andar na chuva, sentir o frio e me ver sozinha, indo pelo caminho de onde todos desviam por que dizem que é perigoso.

Gosto de subir o degrau que separa a avenida da ruazinha ao lado escola, passar embaixo da ponte e andar bem rápido naquele lugar deserto.

Gosto quando tenho que olhar para trás para ver se não tem ninguém suspeito por perto e quando tenho que apertar o passado para fugir de gente estranha.

Mas isso não significa que sou excêntrica e gosto de me arriscar.

Acho que na verdade só gosto de me sentir um pouco livre, mesmo que por 30 segundos. Por que por um instante me sinto fora do alcance de todos que insistem em me sufocar tentando me proteger. Família, amigos, gente que eu nem conheço, mas que se sente no direito de dizer como tenho que levar minha vida.

Se dependesse de mim, meu caminho até minha casa teria ainda mais vielas perigosas. Me faz tão bem me sentir adulta o suficiente para poder atravessar uma rua escura sozinha...

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Faz assim

Entrei no trem às 21h35 sem ter decidido ainda se iria ao show que começava às 22h.
Se alguém tinha tido um dia péssimo, essa pessoa era eu. E talvez por acreditar que algo bom aconteceria ainda naquela noite foi que eu decidi arriscar.
Corri feito uma maluca, troquei de roupa na estação de trem e quando subi as escadas para encontrar meus amigos encontrei um olhar diferente em meio a tantos rostos conhecidos.

Dezoito dias depois tenho a certeza de que fiz a escolha certa.
Sempre escuto a música Faz Assim do Leoni e hoje, mais do que em qualquer outro dia, ela faz total sentido:

“Mas é exatamente quando a gente está cansado que o coração distrai e então a sorte vem”.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Atenção

Hoje quando entrei no taxi me estranhei.

Eu, logo eu, que normalmente me torno melhor amiga dos taxistas em menos de cinco minutos não senti vontade de puxar papo e nem responder as tentativas dele de engatar uma conversa.

Da Vila Olímpia até onde moro são mais de 50 minutos e vim o caminho todo pensando.

Pensei primeiro no motorista de ônibus que me esperou quando eu sai correndo desesperada e depois conversou comigo interessado em saber por que eu corri sorrindo...

Lembrei da jornalista que me abraçou com tanta empolgação quando me encontrou e do francês tentando me fazer rir com suas piadinhas em português.

Mas principalmente, lembrei do louco que conheci hoje pela manhã, enquanto esperava o ônibus.

Ele veio andando e de longe senti que ele iria falar comigo. Sabe como é...Eu atraio gente pouca e sei disso. Quando chegou bem perto de mim, disse: Você parece a moça que eu sonhei essa noite.

Encarei isso como um elogio e respondi: Muito obrigada.

Então ele começou a me contar da vida dele, o lugar em que dormia, por que odiava a policia e qual igreja freqüentava.

O mais engraçado é que eu continuei a conversa. Disse que estava indo trabalhar, que não acreditava em policiais honestos e que morava em Santo André.

Para minha surpresa ele respondeu: Cuidado, tenho um tio que mora lá e é bêbado, não dá atenção para qualquer um na rua e fica esperta. As pessoas são perigosas.

E aí percebi que talvez ele só quisesse um pouco de atenção. Assim como o taxista, a jornalista, o francês, o motorista de ônibus e eu.

Todos nós precisamos de um pouquinho mais de atenção...

domingo, 12 de setembro de 2010

Futuro



Ontem a noite, numa dessas conversas de bar, enquanto eu fazia contas e concluía como quero estar daqui a cinco anos, veio a pergunta:


Por que tanto medo do futuro?


Eu não soube responder.


Em seguida veio o conselho:


É só deixar acontecer.



Acordei hoje pensando nisso.


Por que tanto medo do futuro?


Só agora encontrei a resposta.



Eu não sei deixar as coisas acontecerem.


Me acostumei com tudo rolando como exatamente programado.


Os mesmos programas todas as quintas, sextas e sábados.


Durante três anos tive o meu porto seguro. Sabia quem responderia minhas dúvidas, sabia quem me ligaria no meio da noite, sabia onde passaria todos os anos novos, um em Cotia, outro no Guarujá, nessa seqüência.


Mas agora não sei mais e isso me assusta.


Acordo sem saber quem me ligará para dar o primeiro bom dia, caminho para o trabalho sem saber o que farei na volta pra casa. Nos finais de semana não vou mais aos lugares em que ia. Agora tudo é novidade.


E as mesmas coisas novas que me fazem feliz me deixam perdida.


Eu me acostumei a ter você ao meu lado. E durante sete meses me acostumei a te esperar voltar. Incrível que, por menos que pareça, todas as minhas decisões neste período foram tomadas para que nós não nos afastássemos. Disse inúmeros nãos quando a vontade de te ter novamente me impedia de dizer sim. Me envolvi em relacionamentos sem futuro, só para não acabar com a possibilidade de um dia realizar o nosso combinado. Passei todos os dias tentando acreditar que um amor quando é de verdade, dura para sempre. E o nosso realmente era.


Mas hoje percebi que o amor acabou. Descobri que agora você tem sua vida e eu tenho a minha. E preciso que você saiba o quanto eu estou assustada. Não quero te ter ainda mais longe e não quero que o dia 14 de setembro de 2012 passe em branco. Não quero esquecer nossos bons momentos, mas eles estão cada vez menores perto dos dias ruins.


Não te amar mais me dá medo.