terça-feira, 30 de novembro de 2010

Relembrando: Mulheres que amam demais



Todas as quartas-feira um grupo de cerca de 20 mulheres se reúne. Poderia ser para jogar conversa fora. Poderia ser para comer uma pizza. Mas não. Uma sala mal iluminada e cadeiras desconfortáveis guardam os segredos que o grupo não conta. Assim como nos narcóticos ou alcoólicos anônimos, o segredo e a ajuda mútua são as leis do grupo.

São mulheres que amam demais. São mulheres que sofrem ou já sofreram de dependência pelo parceiro e hoje estão buscando a felicidade. São mulheres como nós. São magras, baixas, loiras, altas, morenas, ricas, pobres, donas de casa, estudantes. O amor não escolhe.

São como nós. Mulheres que amam e por amar colocam o homem de suas vidas em primeiro lugar, deixando nossos desejos e vontades de lado. Quantas vezes nós não agimos assim? Quantas vezes não insistimos em um relacionamento que não nos faz felizes? Quantas vezes quem tem sempre a última palavra é ele?

“Quando amar é sinônimo de sofrer, então provavelmente você está amando o homem errado da maneira errada. Alguém que não pode retribuir seu amor... Mesmo assim você insiste, se sacrifica, anula sua personalidade e continua tentando”, explica Robin Norwood, no livro Mulheres que Amam Demais.

A gente ouve falar em tanta doença por aí que nem se quer percebemos que amar demais também nos traz sérios problemas . A necessidade constante de uma pessoa também é caracterizada como compulsividade e tem tratamento.

Não deixe que o amor se torne uma doença! Ame, mas acima de tudo, ame a você mesmo!


Dica: Para que quer conhecer um pouco mais sobre essas mulheres, por necessidade ou curiosidade, vale a pena ler o livro Mulheres que Amam Demais, de Robin Norwood ou acessar o site: http://www.grupomada.com.br/


Sobre: Esse texto foi postado inicialmente no Blog Moderna mas nem tanto, como parte da pesquisa do meu trabalho de conclusão de curso de jornalismo, que teve como tema a condição da mulher pós feminismo.
http://modernamasnemtanto.blogspot.com/2009/07/mulheres-que-amam-demais.html

sábado, 27 de novembro de 2010

Sobre namoros, baladas e tequilas

Depois da segunda tequila a festa inteira começou a girar. Bom, essa era minha intenção desde o momento em que eu aceitei ir nessa balada. Minhas amigas e eu tiramos a noite para, literalmente, enfiar o pé na jaca.

Juro que há muito tempo, acho que desde o meu primeiro ano de faculdade, não me divertia tanto. E naquela de tequila vai, cabeça gira, desce mais uma... fiquei com um cara, fiquei com dois.. e por aí foi.

Eu sempre fui um pouco contra sair por aí beijando na balada porque no fim, é mesmo só um beijo. Você volta pra casa, dorme e quando acorda nada mudou. Você ainda tá lá... Sozinha.

Mas pela primeira vez em muito tempo eu preferi acordar sozinha depois de uma noite cheia de beijos sem compromissos e teor alcoólico elevado.

Preferi ser solteira e sozinha também por que aquela frasezinha batida que todo mundo faz questão de falar é mesmo verdade: antes só do que mal acompanhado.

Olhei para o lado e vi aquele casal tão feliz e pensei que sim, se naquela noite existia algo sem sentido não era eu nem minhas amigas, nem os caras e muito menos as tequilas. Não fazia sentido aqueles beijos apaixonados, as risadas e os carinhos.

Até que ponto todo amor é verdadeiro? Até que ponto vale a pena ter alguém ao seu lado? Até que ponto você pode confiar em quem está com você?

Pensei em como a Mulher Melancia – sim, a funkeira- teve, com sua pouquíssima inteligência, a capacidade de cantar uma música totalmente verdade: É melhor tu ser solteira do que ser uma chifruda! Porque homem a gente escolhe, quando enjoa a gente muda!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Nada é coincidência



Faz umas três semanas que eu comecei a ouvir uma rádio de pagode, todas as manhãs, para me animar. Até que, segunda-feira, resolvi ir pro trabalho um pouquinho mais cedo, pois não tinha conseguido dormir. Liguei o celular e sintonizei aquela rádio. Pra minha surpresa, quem estava falando? O Padre Abério Christie.

Eu sei que pra maioria das pessoas isso não significa nada, mas pra mim, teve um sentido absurdo. Passei toda minha infância ouvindo as bênçãos do Padre Abério com minha avó e, desde que ela faleceu, há 11 anos, nunca mais tinha escutado falar dele.

Bem nesse dia seu sermão falava sobre nada ser coincidência e sim providência de Deus.

Pensei muito nisso a segunda inteira e me senti extremamente confortada.
Mas a correria do dia a dia me fez esquecer disso. Trabalhei demais, fiquei irritada, perdi a paciência e fiquei doente. E, quando tudo dá errado, quem consegue manter a fé?

Entrei no metrô hoje desejando apenas que meu dia passasse logo. Até que uma moça sentou com sua filha na minha frente. A menina, aparentando ter uns 4 anos, ficou me olhando fixamente. Normalmente, eu gosto de crianças. Mas hoje, hoje não. Olhei pra ela e resolvi ignorar. Pensei: Que droga, eu querendo dormir e essa menina me encarando.

Quando fechei os olhos para dar aquela dormidinha básica, senti uma mão em mim. Acordei assustada e olhei. A menina pentelha tinha me chamado, por que queria me dar um chiclete.

Comecei a falar com ela e ela não respondia, só sorria. Então a mãe dela me contou que ela tinha um problema de formação no pulmão e não conseguia falar. Começamos a conversar só por gestos e, quando ela me mostrou sua sandália, eu sorri. Na linguagem dos gestos, ela pediu para a mãe dela me dizer que meu sorriso era lindo e que eu não devia ficar tão séria.

Naquela hora tudo parou e eu realmente vi um filme passar na minha cabeça: todos esses últimos dias desanimada, toda a vontade de desistir, as reclamações, a vontade de chorar e por fim, a menina do metro e o padre falando na rádio.

Quando a mãe dela me disse que ela seria internada em poucos minutos para fazer uma cirurgia, ela falou, novamente por meio de gestos: vou ficar boa e poder conversar com você, moça.

Nada é coincidência mesmo, pensei. Tive que encontrar uma menina tão pequena, ainda frágil, para ela me ensinar que a gente não pode se deixar abater. A Kelly, com seus quatro aninhos e sem palavras, apenas com o olhar, me fez acreditar no poder de um sorriso e na importância de manter a fé.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Quem sabe

Todo mundo parece não ser bom o suficiente pra mim, já que você faz questão de elencar os defeitos de cada cara que se aproxima de mim. A critica pode ser para o boné, para o jeito de falar, para o nome, para o som do carro. Qualquer coisa normal pra você se torna ruim nos outros caras.

E eu ainda ouço todos esses comentários. E o pior: levo em consideração, por que você tem razão. Nenhum cara que me envolvi depois que te conheci é tão bom quanto você mesmo.

Ninguém me olhou do jeito que você me olhava, nem segurou minha mão de um jeito que eu poderia ficar ali, de mãos dadas pra sempre. É fato. Ninguém faz a massagem que você faz nem me beija do jeito que eu sempre sonhei: na testa! Também nenhum cara fala todas as verdades que eu preciso ouvir nem me dá todos os conselhos que eu insisto em não aceitar.

Você tem razão. Perto das nossas conversas todos os outros parecem uns babacas.
Então, por favor, me explica por que você se importa e eu continuo me importando com o fato de você se importar, mas não faço nada para mudar?

Me diz porque naquele dia, chorei escondida em seus braços pra você não perceber que se eu me faço de forte é porque seu abraço me desmonta. Chorei por que quando eu digo que não te quero do meu lado é como se eu estivesse dizendo que quero não querer, mas que em alguns momentos, sua presença é o que eu mais quero. Chorei sem deixar você perceber minhas lágrimas por que quando conto de outros garotos pra você tudo o que me importa é ver em seu rosto aquela pontinha de ciúmes e raiva que você tenta esconder.

Te abracei mais forte e chorei, chorei por que fingi que não me importava em não te ver mais, quando na verdade já tinha chorado antes com medo de isso acontecer.
E logo eu, que sempre faço tanto barulho, chorei em silêncio pra você não perceber que todas as vezes em que eu te disse que não me importava eu estava mentindo.

Olhei pra cima, engoli o choro e dei um sorriso meio amarelo, sem vida. Não consegui olhar nos seus olhos, não consegui segurar sua mão e não consegui te dar um beijo de tchau. Também não consegui te dizer tudo o que eu tinha ensaiado.

Quem sabe um dia eu possa te encontrar e contar que tudo o que eu te disse até hoje na verdade significava justamente o contrário? Quem sabe eu não possa te dizer que sim, eles são mesmos uns otários. Quem sabe...

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Ei

Ei, não tenta entender as voltas que eu dou sozinha. Deixa só um mistério estranho de filme trash. Ninguém quer descobrir o que há por trás da mulher diferente, mas ela ainda é a mulher diferente que deve ser descoberta.
Passo horas falando pra ficar muda de repente, passo toda a segurança do mundo pra me derrubar em medos bobos. É que tudo fica mais legal em constante mudança. E eu nem sei mais ser a mesma sempre.

Verônica H.

Te quiero, sí te quiero

Te quiero, sí te quiero
Voy andando como fiera tras tus pies, amor
Te veo y te deseo pero tú tienes tu dueño y no te puedes zafar

Los días se pasan sin ti
Las noches se alargan sin ti, sin tu amor, sin tus besos

Ay, si tuvieras libertad, a tu lado yo estaría, amor
Hey, dame, dame una señal, cuando seas libre mi amor
Ay, no lo puedo soportar
No me quiero derrumbar
Mándame un mensaje, una señal
Manda una señal de amor
Manda una señal, amor

Te veo acorralada de unos brazos que no te dejan mover
Te deseo y me deseas pero estás muy aprisionada, corazón
Y no viviré sin tu amor
Y no pararé hasta tener tu amor y tus besos

Hey, estoy viviendo sin vivir
Estoy muriendo sin poder morir
Hey, dime, dime, tell me too, cuando seas libre mi amor

Ay, no lo puedo soportar
No me quiero derrumbar
Mándame un mensaje, una señal
Mándame tu luz, amor
Manda una señal, amor

Vivir, sin ti vivir, estarse muriendo sin morir
Estar, sin ti estar, estarse muriendo sin morir
Amor, dónde estarás, manda un mensaje, una señal
Y no, no pararé, no viviré sin ti, amor... ¡NO!


Tempo


Eu nunca acreditei muito nessas coisas de dar tempo ao tempo e esperar uma intervenção divina. Como filha única mimada pela avó me acostumei a ter tudo na minha hora, quando bem entendesse.

Sempre me diziam que ia chegar uma hora em que eu ia ter problemas com esse meu jeito. Juro que mudei um bucado dos meus 10 anos para cá, mas nunca deixei de lado essa minha característica – ou defeito – de querer tudo da minha maneira, sempre.

Cheguei aos 23 anos sendo uma garota um tanto quanto imediatista, para não dizer mimada. E, ao contrário do que diziam, isso nunca me causou grandes problemas.

Mas acontece que um dia a gente cresce. E eu cresci da maneira mais simples possível. Não foi tendo um grande trauma, nem apanhando da vida.

Cresci de verdade hoje, quando abri meu e-mail e vi que uma coisa que eu desejava muito, uma coisa que eu passei meses e meses tentando, insistindo e brigando para conseguir, aconteceu nessa manhã, quando eu menos esperava.

Não adiantou nada eu ter sofrido horrores, ter me descabelado e ter ficado batendo na mesma tecla, sozinha, para resolver quando eu achava que era a hora.

A vida é mesmo engraçada e vem me provando todos os dias que nem sempre o que a gente quer é a melhor coisa, ou que nem sempre o nosso tempo é o tempo correto.

E a mensagem subliminar do dia pra mim foi:
Vamos começar a dar um passo de cada vez, para parar de tropeçar?

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Cyrus

Ficamos o dia todo escolhendo um filme bacana para assistir hoje à noite e esse parecia mesmo ser o mais legal.

Quando chegamos ao cinema, eu estranhei a sala vazia pra ser uma comédia, mas vai entender, esses cinemas de São Paulo são mesmo estranhos, tem até cinema que não vende pipoca, então esperei o filme começar.

E quando o Cyrus apareceu na tela me enxerguei totalmente nele. Simplesmente por que todos nós vivemos a procura de alguém para amar e quando achamos sufocamos tanto essa pessoa que o amor vai embora e o que resta é a posse, a dependência.

Fiquei pensando em quanto mal eu já fiz paras as pessoas que eu mais amava querendo guardá-las só pra mim. E no fim, o que aconteceu? Ou as deixei infelizes ou acabei perdendo-as.

Sai do cinema tendo mais certeza do que nunca que aquela coisa de “deixar as coisas que amo livre” faz o maior sentido do mundo.


Mais sobre o filme: http://www.imdb.com/title/tt1336617/

Inspiração muda tudo!



E não é que um sorriso muda tudo mesmo?

Faz algum tempo já que eu adotei isso como filosofia de vida e vivo sorrindo por aí. Desde então, só coisas boas me aconteceram... Desde fazer amizades com crianças e idosos até ganhar um copo de vodka de um bêbado na Augusta, neste sábado.

Mas às vezes um sorriso é mesmo capaz de mudar nossa vida. E foi isso que aconteceu comigo.

Sábado passado foi o casamento da minha prima. Eu estava muito feliz mesmo, lógico. E quis repartir minha felicidade com todo mundo, até com quem eu não conhecia. E sai falando oi pra todo mundo, coisa que eu sempre faço, é verdade.
O mais engraçado é que uma semana depois, quando entrei no meu twitter, vi que um dos meninos do casamento tinha me enviado o link com as fotos da festa dizendo que tinha me achado muito gente boa, pela minha simpatia.

Tweet vai, tweet vem, transferimos a conversa para o msn e li uma coisa que nunca vou me esquecer: continue assim, com esse seu caráter e essa simpatia, por que a vida desse jeito é muito mais divertida.

E aquela minha noite de domingo que estava beirando o tédio simplesmente se transformou em uma conversa animadíssima, que continuou pela segunda com direito a crise de risos e sessão de terapia e, se tudo der certo, vai continuar por muito tempo.

Veja bem, meu bem

Veja bem, meu bem
Sinto te informar que arranjei alguém
pra me confortar.
Este alguém está quando você sai
E eu só posso crer, pois sem ter você
nestes braços tais.

Veja bem, amor.
Onde está você?
Somos no papel, mas não no viver.
Viajar sem mim, me deixar assim.
Tive que arranjar alguém pra passar os dias ruins.

Enquanto isso, navegando vou sem paz.
Sem ter um porto, quase morto, sem um cais.

E eu nunca vou te esquecer amor,
Mas a solidão deixa o coração neste leva e traz.

Veja bem além destes fatos vis.
Saiba, traições são bem mais sutis.
Se eu te troquei não foi por maldade.
Amor, veja bem, arranjei alguém
chamado "Saudade'.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Cinema?

Depois de ter enrolado o garoto por quase um mês decidi ir ao cinema com ele.
Quanto estava quase pronta pra ir encontrá-lo, desisti. E como sou extremamente madura, decidi não ligar. Só desliguei o celular e bloqueei no msn para não ter como ele me encontrar.

Senti um pouco de peso na consciência mas senti que eu estava sendo mais sincera não indo do que chegar no cinema e ficar o tempo todo pensando em outra pessoa.
Foi algo como: eu vou mentir que vou, mas não vou. Só que não vou mentir que estou curtindo pq certeza que quando entrasse no cinema minha maior preocupação ia ser não deixá-lo encostar em mim.

Então, quando, às dez da noite, resolvi ligar meu celular vi que ele tinha mandado inúmeras mensagens. E o sinal mal voltou, meu telefone começou a tocar. Caramba. Dez horas, já haviam se passado três horas e ele ainda estava lá, me esperando no lugar combinado.

Aí eu me arrependi. Não por ter ficado com peso na consciência ou ter sentido dó dele. Me arrependi por mim mesmo. Por que se o cara além de bonito e inteligente, o que eu já sabia que era, te espera por três horas, com certeza a idiota da história fui eu, que perdi a chance de sair com alguém que valesse a pena.

Pois é, essa sou eu. Desde que me lembro por aí dispensando as pessoas legais e ficando a fim dos idiotas.

Olha


"Olha, eu estou te escrevendo só pra dizer que se você tivesse telefonado hoje eu ia dizer tanta, mas tanta coisa. Talvez mesmo conseguisse dizer tudo aquilo que escondo desde o começo, um pouco por timidez, por vergonha, por falta de oportunidade, mas principalmente porque todos me dizem que sou demais precipitado, que coloco em palavras todo o meu processo mental (processo mental: é exatamente assim que eles dizem, e eu acho engraçado) e que isso assusta as pessoas, e que é preciso disfarçar, jogar, esconder, mentir. Eu não queria que fosse assim. Eu queria que tudo fosse muito mais limpo e muito mais claro, mas eles não me deixam, você não me deixa"

Caio Fernando Abreu

domingo, 14 de novembro de 2010

Não quero mais a realidade comum. (*)

"O mundo me prefere com dois braços e duas pernas, mas não sei mais ser humana. Sorrir cansa. Chorar cansa. Mas o que mais cansa é procurar desesperadamanete um intermediário e esquecer que o mundo é mais que aparências.

Eu sou volúvel. Grande surpresa. Mas ser volúvel também cansa. Porque ninguém leva a sério alguém que passa a semana chorando pra ficar bem na semana seguinte. Como se fosse preciso ser feliz pra sempre ou triste pra sempre pra ser alguma coisa de verdade.

Não quero mais a realidade comum. Isso é o que mais cansa, pra ser bem sincera. Tenho até arrepios de pensar num futuro escrito e óbvio nas prateleiras de gente sem sal. Só de saber o que vai ser de mim, já quero ser outra coisa. Uma coisa nova e diferente, pra quebrar o que é certo.


Verônica H.




(*) Decidi, a partir de hoje, postar alguns textos que não são meus, mas que dizem exatamente o que eu gostaria de dizer.

Gosto...

Acordei já pensando no que eu te escreveria.

Quis, na verdade, dizer um milhão de coisas. Mas resumi minha mensagem a apenas uma palavra. Não foi o que eu queria dizer, só um aviso: não te esqueci.

E enquanto tomava meu café pensei que sou mesmo uma idiota por dizer que me arrependo de ter estado aqueles 5% mais bêbada, já que costumo falar que se tivesse ingerido um pouquinho menos vodka não teria deixado aquilo acontecer.

Mas meu Deus, você foi a primeira pessoa que me fez sentir uma coisa boa e somente uma coisa boa, sem aqueles outros sentimentos que estragam tudo. Eu gosto mesmo de você. Mas é um gostar tão simples e maduro que ele não vem acompanhado de ciúmes, posse, dependência, costume. É só um gostar. Sem explicação e sem motivo.

Pela primeira vez eu gosto de alguém sem esperar nada dessa pessoa, gosto sem cobrar, sem querer mais, sem planejar o futuro. E como isso é bom.

Gosto por que teu beijo me deixa com vontade de quero mais.


Gosto por que suas broncas chegam no momento que eu menos espero e me fazem ver a vida de outro jeito.

Gosto por que posso ser eu mesma e pq te quero exatamente como você é.

Gosto muito por que não te entendo, não te decifro e não sei o que passa na sua
mente.

Gosto por que você some e eu não me importo. E gosto mais ainda por que de repente você volta e tudo continua numa boa.

Gosto por que sei que esse fim com ctz vai chegar antes desse gostar ter virado o que chamam de amor, mas que, no fundo, é só uma doença que junta dependência e carência.

Menina na Augusta


Apesar de já ter 23 anos, algumas coisas que eu faço me fazem sentir mais adulta.
E ontem foi assim. Desci do metro sentido Rua Augusta e fiquei surpresa ao ver toda aquela gente misturada. Como pode ser que existam tantas pessoas com tantos estilos diferentes?

Eu deveria ter apertado o passo, afinal, todo mundo ficava me avisando: Não ande por lá sozinha a noite. Mas fiquei com tanta vontade de registrar cada movimento que comecei a andar mais devagar.

Então me senti uma menina ao olhar para as minhas roupas. Enquanto todos seguravam bebidas e cigarros, eu carregava meu celular e ouvia o novo cd da Sandy.

Olhei para os grupos de meninos com jaquetas de couro, um outro grupo com meninas vestindo shorts curtos e meias, alguns garotos de chapéus, skatistas, grupinhos gays, homens beijando homens e meninas beijando meninas e fiquei um pouco assustada pensando em como eu não conhecia nada daquele mundo onde as pessoas ousam sem se preocupar com o que os outros vão pensar.

Olhei de novo para minha calça jeans e meu colete cinza e pensei que eu era mesmo uma menina. Mais velha que a maioria das pessoas ali, porém com muito menos experiências malucas do que todos que eu observava.
Continuei descendo e então me lembrei de uma coisa que antes me divertia muito. Eu costumava olhar para cada pessoa e imaginar o que estava por trás daquele rosto, o que aquela vida escondia, quais seriam seus sonhos, seus medos, suas angustias e seus arrependimentos.

Diminui ainda mais o passo e fiquei observando garotas que sem nem ter 15 anos ainda já estavam ali, sentadas na calçada tomando cerveja. Olhei para garotos que de um jeito confuso falavam sem parar coisas sem sentido. Vi a moça bonita que de saia curta e meia arrastão faria um programa para garantir o dinheiro da noite e vi o bêbado sentado no chão, cantando sozinho. Quantas vidas eu teria que ter para entender o que se passa na cabeça de cada um?

Estar sorrindo nem sempre significa ser feliz, pensei. Se jogar assim no mundo pode significar justamente falta de confiança e não excesso de coragem. Fechei os olhos e fiquei imaginando o quanto cada pessoa tinha um vazio ali em seu peito, pensei em como cada corte de cabelo ousado ou cigarro fumado pode significar simplesmente um pedido de ajuda para se encaixar nesse mundo tão louco. E então fiquei feliz por não me encaixar muito bem naquele cenário onde juventude, drogas e sexo parecem sinônimos.

Agradeci por ter 23 anos e não ter vivido aquelas coisas tão excitantes que as meninas estavam vivendo. Agradeci por ter tomado meu primeiro copo de cerveja aos 20 e por ainda não saber fumar um cigarro. Agradeci a Deus por ainda ter uma mãe que me liga pra saber onde e com quem estou. E agradeci mais ainda por nunca ter feito o que os outros achavam que eu devia fazer, por manter meu estilo sem me importar com a moda da turma e por nunca ter deixado meus valores para trás.

Olhei pra mim e vi que aquela garota ouvindo musica era na verdade uma mulher e uma mulher que deveria ter orgulho de si mesma por nunca ter precisado usar de subterfúgios para mostrar o quanto havia crescido.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Seis meses

Hoje faz seis meses que você se foi.
Seis longos meses quando, durante todos os dias, senti sua falta. Desde aquele dez de maio decidi acreditar ainda mais em Deus, confiar no que dizem “tudo acontece por um motivo” e tentei ser forte lembrando de todas as lições que você me deixou.

Mas as vezes eu simplesmente não consigo.
Quando sinto o cheiro de café fresco, me lembro das manhãs em que você me acordava.
Quando leio qualquer coisa sobre política, sei exatamente o que você diria e que partido apoiaria.
Quando alguma coisa dá errado sinto vontade de correr pra perto de você e ficar quietinha, do seu lado, sem falar nada, só esperando todos os meus medos passarem.
Acho que nunca me dei conta disso antes, mas com você eu era mais forte. Com você eu podia enfrentar tudo de mal e com você eu não tinha medo.
Da maneira mais literal, você foi um herói e tudo o que eu queria era ter tido mais tempo para aprender com você essa sua maneira de sempre segurar as pontas e resolver o problema. Eu queria ter me tornado mais humana, mais adulta, olhando seu exemplo.
Mas de tudo o que eu desejo, o que eu mais queria mesmo era poder chorar e saber que você sempre ia me apoiar, não importa o que eu fizesse. Hoje, por exemplo, era um daqueles dias que só o seu olhar ia me tranquilizar.

Próxima estação

A viagem de metro nunca foi tão longa.

Fiquei olhando pro túnel escuro esperando chegar até a próxima estação que, pra mim, parecia estar a horas de distância.

Quando o trem parou na minha estação preferida olhei de novo para aqueles rostos colados no vidro, que todo dia me fazem pensar em como minha vida é boa.

Só então percebi que ninguém estava olhando pra mesma coisa que eu, por que todo mundo do meu vagão olhava pro meu rosto cheio de lágrimas.

“Eu não fiz a escolha certa”, pensei. Comecei a chorar mais ainda.

Peguei meu celular na bolsa para ouvir música, na tentativa de me acalmar.

E foi bem isso que eu ouvi:

“Ahhh
Ora, se não sou eu
Quem mais vai decidir
O que é bom pra mim?
Dispenso a previsão!
Ah, se o que eu sou
É também o que eu escolhi ser
Aceito a condição”


quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Mais que isso

Às vezes a vida nos prega umas peças e parece que ela quer mesmo testar nosso grau de maturidade. Ou melhor, parece que a vida e suas surpresas acontecem para que possamos provar que nos resta ainda um pouco de sanidade.

E eu nem sempre consigo corresponder as minhas expectativas. Mas ultimamente tenho respirado fundo e me surpreendido comigo. Eu poderia entrar em competições e joguinhos, mas resisto. Não me apetece saber quem tem mais poder em algumas situações e até aprendi a enxergar qualidades naqueles que querem meu mal.

Não sinto raiva. Quando a situação é extrema, o que antes me deixaria irritadíssima hoje em dia só me faz sentir dó. E não é por que me sinto superior. É por que me sinto igual. Por que muitas vezes me vi a beira de fazer certas besteiras e consegui evitá-las.

Talvez porque, quando a dor é forte demais, você precisa de um amor, um amigo e de sua família. Mas você precisa antes de qualquer coisa acreditar em você. Ter fé que o seu futuro é muito maior do que aquele sentimento ruim do momento. E olhar pra frente, sem medo de se desapegar do passado e construir uma nova história. Acreditar que você merece sempre mais do que tem agora. E saber que desejar o mal aos outros não te faz mais feliz.

Se eu pudesse olhar nos seus olhos e te dizer uma frase apenas, eu diria do fundo do meu coração: você merece muito mais do que tudo isso, vá em frente.

E quando a dor bater, a vontade de ligar for tão forte ao ponto de você achar que não vai resistir, ou quando sua vida parecer não fazer mais sentido, pare, respire fundo e pense em tudo o que você ainda tem para viver.

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

Hoje é aniversário da minha amiga Amanda Campos que, por pura coincidência da vida, está sentindo a mesma coisa que eu neste momento. Esse texto é pra ela, esse texto é pra mim e esse texto é pra você que precisa se dar uma nova chance de ser feliz ...




terça-feira, 2 de novembro de 2010

A poesia da minha tia





“Veio alguém bateu na porta, vacilei não quis abrir.

Pensei que fosse a saudade, que vive a me perseguir.

Bateu de novo com força, mas depois não insistiu.

Desceu as escadas em silêncio e para sempre partiu.

Partiu deixando na porta essas palavras fatais:


Eu sou a felicidade e não voltarei jamais”.


Eu nem sabia ler direito quando minha tia escreveu esse poema no meu caderninho de recordações. Eu imaginava uma gota grande, azul e brilhante subindo as escadas do sobrado da minha tia e batendo na porta do quarto dela. Para não abrir, com medo, ela ficava deitada embaixo do cobertor.

Perdi a conta de quantas vezes imaginei essa cena e hoje, quando acordei, lembrei dessa poesia e de novo veio a imagem da felicidade que, durante anos, pra mim, foi materializada em uma gota azul que andava de um lado para o outro esperando alguém abrir a porta e aceitá-la. Passaram-se quase 16 anos e só agora essas palavras fazem sentido para mim.

Queria acreditar que todos aqueles nãos que disse aos caras que tentaram entrar na minha vida nesses últimos oito meses foram corretos, mas não. Perdi a chance de abrir a porta para o novo por medo de sentir aquela coisa ruim da despedida de novo.


Não quis andar de mãos dadas - Já pensou se alguém me vê com ele?

Não aceitei ir ao cinema – Ver filme é coisa de namorado

Desmarquei milhares de jantares – Prefiro ficar com as amigas

Cantei músicas exaltando a vida de solteira – Dizem que é melhor ficar sozinha do que mal acompanhada

Deixei aquele cara gato me esperando sem avisar que não ia vê-lo – Eu tava cansada, juro.

Não atendi as ligações depois daquele beijo – Não encaixou, sabe? Ou eles beijavam molhado demais, ou devagar, ou seco e sem graça.

Mas só agora, nessa terça-feira típica de primavera, com o sol batendo na minha janela, me senti sozinha e aí, lembrando da poesia da minha tia pensei: quantas portas deixei fechadas por medo de sofrer? Quantas oportunidades joguei fora tentando não me envolver? Quantos momentos não vivi me apegando ao que já tinha acabado?

Sai medo, sai... Não vou mais dar chance a esse sentimento ruim que me impede de ser feliz, vou dar uma chance a mim, pq só eu posso abrir a porta pra felicidade entrar, antes que ela desista de me alcançar.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Meio

Eu te conheci em um dia meio sem graça. Quase às seis da tarde, quando já não queria mais estar ali.

E você se aproximou em uma tarde meio cinzenta e quando sua mão encostou em mim eu fiquei meio sem entender.

E no dia em que eu estava meio sem saber o que fazer, você puxou a minha mão e me deu um beijo.

Eu meio que gostei, meio que fiquei confusa.

O tempo foi passando e eu, meio sem entender, fui gostando dessa história incompleta.

Até que eu percebi que o nosso meio romance, que não teve começo, chegou ao fim.