Quanto duram 15 anos?
O que passou, o que ficou? O que eu fiz em todo tempo?
Quanto mudei? O quanto cresci?
Você ainda vive em mim? Eu tenho algo que lembre você?
Não sei.
Reforço quase sempre em meus pensamentos e lembranças o que
ainda não esqueci: a sua voz ao me acordar, a sua preferência por unhas
vermelhas e vestidos floridos, o amor que você tinha e eu sei que ainda tem
pelas crianças e o hábito de colocar os grampos que achava perdido pelo caminho
no cabelo. Mas me esforço em vão tentando ouvir o som da sua risada, para
lembrar seu prato preferido e o que te fazia feliz.
A gente não sabe o que acontece com quem vai embora, mas
sabe que o tempo é cruel com quem fica. A lembrança vai ficando gasta. O cheiro
da pele desaparece e o som da voz não fica mais nítido. Até para lembrar-me do
seu rosto preciso fazer um pouco mais de força. E me esforço porque sei que as
fotos não refletem você. As fotos não eternizaram os momentos que vivemos. Eu
era tão nova. Não tive tempo para registrar, anotar e fotografar tudo o que eu
queria guardar pra sempre. Isso não foi justo... Injusto eu não ter tido mais
tempo. Eu sei, a vida não é justa. Sei disso desde o momento em que o telefone
tocou e me vi sem você.
