Segunda-feira de carnaval.
Abro o notebook, com uma taça de espumante e escuto a mesma
música pela décima vez. O refrão canta: “Quero não desmanchar com teu sorriso
bobo. Quero me refazer longe de você”. E
então começo mais um texto que você nunca vai ler. Mas que eu preciso escrever.
Pois não saberia guardar tudo isso dentro do meu coração.
Antes de começar a escrever, checo mais uma vez o celular.
Você ainda não respondeu tudo o que eu tentei te fazer entender. Não é que eu
queira me afastar de você. É justamente o fato de querer ficar perto demais que
me assusta. E você sempre esse mistério que não sei desvendar.
Lembra o que você me disse há alguns meses? “Não quero te
colocar no furacão que é minha vida”. Tarde demais. Eu já estava completamente
perdida nele. E em todo esse tempo esperei você estender sua mão pra me tirar
de lá. Juro que em alguns momentos achei que essa hora estava quase chegando. E
esperei. Nem me importei com a bagunça que o vento fez. Me senti viva de novo.
Mas a hora não chegou. E por mais que a gente não mande no
coração e não tenha força pra fazer um furação ir pra longe sozinha, preciso
tentar.