
Meu avô morreu em maio e há alguns meses a casa em que ele morava foi vendida.
Eu morei 18 da minha vida lá também e faltava coragem pra passar em frente do lugar em que eu mais vivi para ver o que tinha acontecido.
Hoje enfim minha mãe e eu passamos em frente e ver tudo aquilo que fez parte de nossas vidas transformado em entulho no chão doeu tanto quanto sentir novamente a morte dele.
Fechei os olhos pra não ver o que estava ali e na mesma hora lembrei de todas as vezes em que ouvi mina avó contando o quanto tinha sido difícil para ela e meu avô construírem aquela casa. “Eu só tinha um vestido. Lavava, esperava secar e colocava de novo. Eram tempos difíceis e a gente precisava terminar a casa”, ela sempre me dizia.
Foi uma das cenas mais difícil da minha vida e ainda me falta coragem pra acreditar que tudo isso aconteceu e eu nunca mais vou descer as escadas pra um churrasco em um domingo feliz, com toda minha família...
Acho que não sou adulta o suficiente ainda pra entender que esse é um processo da vida e conseguir apenas guardar as lembranças, sem lágrimas nos olhos...
Também falta coragem pra acreditar que as coisas se acabam, as pessoas se vão e mesmo assim a vida continua...
Um comentário:
Ouuun Pam.... Lindo texto!!!
Eu perdi muitas pessoas queridas, meu pai, meu avô, meu ex namorado, amigos, amigas e crianças do coração mais puro q um dia pude conhecer.
Mesmo passando por isso "sempre", a dor continua, e sempre que fecho os olhos, meu coração e meu pensamento vão longe... bem pertinho deles...
aí, eu os sinto....
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