Nunca conheci uma pessoa que jamais tivesse dançado funk.
Pode ser que tenha sido uma única vez, bêbado na balada ou naquela festa de casamento, mas tenho certeza que a maioria das pessoas já se soltou ao som do batidão.
O que me incomoda é o preconceito das pessoas com essas músicas. Ah tá. É que o funk faz apologia ao crime. E o hip hop? O rap? Até mesmo algumas letras de samba falam sobre drogas e outras coisas ilegais. Ou o funk só fala de sexo. Ah, me desculpa. Você não transa né? Deve ser essa a razão da crítica.
Pra mim é tudo preconceito. E só. Preconceito com uma manifestação popular tão contagiante que incomoda aos falsos moralistas ou pseudo-intelectuais.
Eu também ouço Chico Buarque. Adoro Zé Ramalho, Gilberto Gil, Elis Regina. Escuto e muito Los Hermanos, banda preferida de quem se acha cult. Não dispenso boas músicas internacionais. Mas quando eu quero me divertir, não tem coisa melhor. Ligo no pancadão e a alegria contagia.
Ouvir funk, pra mim, não é ser menos inteligente ou ter um péssimo gosto musical. Na minha opinião, assim como o samba, o sertanejo, o hip hop, o funk é a representação popular. É a maneira das pessoas extravasarem, mostrarem sua realidade pro resto do mundo. É falar “tem vida diferente da sua, dá só uma olhada aqui!”.
Vou mais além...Acredito que funk também é cultura. Uma cultura que a maioria tem vergonha de reconhecer por que representa gente que vive a margem da sociedade.
Aliás, pra quem não sabe, em Setembro de 2009 a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro aprovou projeto que define o funk como movimento cultural e musical de caráter popular do Rio de Janeiro.
Adriana Rattes , que já foi Secretária de Cultura do Estado do RJ, tem uma opinião bem bacana sobre isso: "É inegável que o funk é cultura, e, como movimento cultural, é e será cada vez mais um instrumento de formação e educação”.
É de se pensar antes de fazer o próximo comentário, não?
Sei que vai ter polêmica. E que muita gente vai discordar de mim, mas é o que eu sempre digo: não dispenso um bom debate
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