Quando você me disse que era diferente, eu acreditei.
Acreditei porque nesse mundo de pessoas rasas, é quase impossível encontrar
alguém que abra o coração para a gente mergulhar de cabeça. Quando você me
disse que não queria entender o que estava acontecendo, eu parei de fazer
perguntas e fui dormir sorrindo com a certeza de que era igual para nós dois. Quando
eu abri meu coração e falei sobre medo, confiei, depois de muito tempo, em
escutar alguém me dizendo que as coisas iam ficar bem.
Em todo esse tempo, andei sozinha por aí acreditando que as
pessoas não valiam à pena. Me fechei em um mundo de segredos e sonhos, onde
ninguém teve a chance de entrar. E então me desarmei. Não por um rosto, não por
um corpo, não por um estilo. Mas por uma alma que parecia ser tão intensa e
sedenta de companhia quanto a minha. Já não me doía viver rodeada de pessoas
vazias. Já não sentia vontade de falar sobre minha vida, meus sonhos, frustrações.
Mas quis acreditar que talvez, só talvez, pudesse você também acreditar em
destino, linhas cruzadas, caminhos que se encontram...
E assim foi você. Chegada improvável, conexão além do
normal, história medida em horas, amor medido em segundos. Alguns dias mais
felizes e de repente uma dor latente vinda do silêncio.
Silêncio sem fim, história sem começo, sentimento sem
explicação.
Você não me deu as respostas pra euforia que invadia minha
vida. E agora busco sozinha uma explicaçãozinha que seja para entender porque tudo
se perdeu no ar e só sobrarem pra mim olhos cheios de lágrimas grudados em uma
tela esperando uma mensagem que não chega.

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