Hoje quando entrei no taxi me estranhei.
Eu, logo eu, que normalmente me torno melhor amiga dos taxistas em menos de cinco minutos não senti vontade de puxar papo e nem responder as tentativas dele de engatar uma conversa.
Da Vila Olímpia até onde moro são mais de 50 minutos e vim o caminho todo pensando.
Pensei primeiro no motorista de ônibus que me esperou quando eu sai correndo desesperada e depois conversou comigo interessado em saber por que eu corri sorrindo...
Lembrei da jornalista que me abraçou com tanta empolgação quando me encontrou e do francês tentando me fazer rir com suas piadinhas em português.
Mas principalmente, lembrei do louco que conheci hoje pela manhã, enquanto esperava o ônibus.
Ele veio andando e de longe senti que ele iria falar comigo. Sabe como é...Eu atraio gente pouca e sei disso. Quando chegou bem perto de mim, disse: Você parece a moça que eu sonhei essa noite.
Encarei isso como um elogio e respondi: Muito obrigada.
Então ele começou a me contar da vida dele, o lugar em que dormia, por que odiava a policia e qual igreja freqüentava.
O mais engraçado é que eu continuei a conversa. Disse que estava indo trabalhar, que não acreditava em policiais honestos e que morava em Santo André.
Para minha surpresa ele respondeu: Cuidado, tenho um tio que mora lá e é bêbado, não dá atenção para qualquer um na rua e fica esperta. As pessoas são perigosas.
E aí percebi que talvez ele só quisesse um pouco de atenção. Assim como o taxista, a jornalista, o francês, o motorista de ônibus e eu.
Todos nós precisamos de um pouquinho mais de atenção...
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