segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Atenção

Hoje quando entrei no taxi me estranhei.

Eu, logo eu, que normalmente me torno melhor amiga dos taxistas em menos de cinco minutos não senti vontade de puxar papo e nem responder as tentativas dele de engatar uma conversa.

Da Vila Olímpia até onde moro são mais de 50 minutos e vim o caminho todo pensando.

Pensei primeiro no motorista de ônibus que me esperou quando eu sai correndo desesperada e depois conversou comigo interessado em saber por que eu corri sorrindo...

Lembrei da jornalista que me abraçou com tanta empolgação quando me encontrou e do francês tentando me fazer rir com suas piadinhas em português.

Mas principalmente, lembrei do louco que conheci hoje pela manhã, enquanto esperava o ônibus.

Ele veio andando e de longe senti que ele iria falar comigo. Sabe como é...Eu atraio gente pouca e sei disso. Quando chegou bem perto de mim, disse: Você parece a moça que eu sonhei essa noite.

Encarei isso como um elogio e respondi: Muito obrigada.

Então ele começou a me contar da vida dele, o lugar em que dormia, por que odiava a policia e qual igreja freqüentava.

O mais engraçado é que eu continuei a conversa. Disse que estava indo trabalhar, que não acreditava em policiais honestos e que morava em Santo André.

Para minha surpresa ele respondeu: Cuidado, tenho um tio que mora lá e é bêbado, não dá atenção para qualquer um na rua e fica esperta. As pessoas são perigosas.

E aí percebi que talvez ele só quisesse um pouco de atenção. Assim como o taxista, a jornalista, o francês, o motorista de ônibus e eu.

Todos nós precisamos de um pouquinho mais de atenção...

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