
Apesar de já ter 23 anos, algumas coisas que eu faço me fazem sentir mais adulta.
E ontem foi assim. Desci do metro sentido Rua Augusta e fiquei surpresa ao ver toda aquela gente misturada. Como pode ser que existam tantas pessoas com tantos estilos diferentes?
Eu deveria ter apertado o passo, afinal, todo mundo ficava me avisando: Não ande por lá sozinha a noite. Mas fiquei com tanta vontade de registrar cada movimento que comecei a andar mais devagar.
Então me senti uma menina ao olhar para as minhas roupas. Enquanto todos seguravam bebidas e cigarros, eu carregava meu celular e ouvia o novo cd da Sandy.
Olhei para os grupos de meninos com jaquetas de couro, um outro grupo com meninas vestindo shorts curtos e meias, alguns garotos de chapéus, skatistas, grupinhos gays, homens beijando homens e meninas beijando meninas e fiquei um pouco assustada pensando em como eu não conhecia nada daquele mundo onde as pessoas ousam sem se preocupar com o que os outros vão pensar.
Olhei de novo para minha calça jeans e meu colete cinza e pensei que eu era mesmo uma menina. Mais velha que a maioria das pessoas ali, porém com muito menos experiências malucas do que todos que eu observava.
Continuei descendo e então me lembrei de uma coisa que antes me divertia muito. Eu costumava olhar para cada pessoa e imaginar o que estava por trás daquele rosto, o que aquela vida escondia, quais seriam seus sonhos, seus medos, suas angustias e seus arrependimentos.
Diminui ainda mais o passo e fiquei observando garotas que sem nem ter 15 anos ainda já estavam ali, sentadas na calçada tomando cerveja. Olhei para garotos que de um jeito confuso falavam sem parar coisas sem sentido. Vi a moça bonita que de saia curta e meia arrastão faria um programa para garantir o dinheiro da noite e vi o bêbado sentado no chão, cantando sozinho. Quantas vidas eu teria que ter para entender o que se passa na cabeça de cada um?
Estar sorrindo nem sempre significa ser feliz, pensei. Se jogar assim no mundo pode significar justamente falta de confiança e não excesso de coragem. Fechei os olhos e fiquei imaginando o quanto cada pessoa tinha um vazio ali em seu peito, pensei em como cada corte de cabelo ousado ou cigarro fumado pode significar simplesmente um pedido de ajuda para se encaixar nesse mundo tão louco. E então fiquei feliz por não me encaixar muito bem naquele cenário onde juventude, drogas e sexo parecem sinônimos.
Agradeci por ter 23 anos e não ter vivido aquelas coisas tão excitantes que as meninas estavam vivendo. Agradeci por ter tomado meu primeiro copo de cerveja aos 20 e por ainda não saber fumar um cigarro. Agradeci a Deus por ainda ter uma mãe que me liga pra saber onde e com quem estou. E agradeci mais ainda por nunca ter feito o que os outros achavam que eu devia fazer, por manter meu estilo sem me importar com a moda da turma e por nunca ter deixado meus valores para trás.
Olhei pra mim e vi que aquela garota ouvindo musica era na verdade uma mulher e uma mulher que deveria ter orgulho de si mesma por nunca ter precisado usar de subterfúgios para mostrar o quanto havia crescido.
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